Endividamento das famílias no mundo é um dos menores do mundo

Diferentemente dos países desenvolvidos a proporção dos endividamento das famílias no Brasil em relação ao PIB é baixa e se assemelha a dos países que compõem os Brics

Eduardo Rodrigues e Adriana Fernandes, da Agência Estado,

21 de outubro de 2010 | 14h12

A 8ª edição do documento Economia Brasileira em Perspectiva divulgado há pouco pelo Ministério da Fazenda avalia que o endividamento das famílias brasileiras é um dos menores do mundo. Segundo o texto, diferentemente dos países desenvolvidos a proporção dos endividamento das famílias no Brasil em relação ao PIB é baixa e se assemelha mais a dos países que compõem os Brics. Considerando valores de 2008, o endividamento das famílias brasileiros em crédito imobiliário e consumo corresponde a 29,3% do total da renda familiar. Na Itália, essa proporção chega a 72,1% e na Alemanha alcança 98,3%. Nos EUA, essa relação atinge 131,6%, enquanto no Reino Unido o porcentual salta 181,4%.

De acordo com o documento da Fazenda, apesar de crescer a taxas superiores a 15% ao ano nos últimos anos, o crédito no País em proporção do PIB ainda é baixo se comparado a outras economias. A estimativa para 2010 é de que essa proporção chegue a 48% do PIB brasileiro. Esse patamar superaria a Argentina, onde essa relação é de 12%, e México, onde é de 33%. No entanto, esse patamar brasileiro ainda é bem inferior ao de outros países emergentes como o Chile, onde o crédito corresponde a 74% do PIB, e Índia, onde essa relação alcança 78%. Ja comparado às economias mais avançadas, a proporção brasileira fica ainda mais atrás. É o caso por exemplo do Reino Unido, onde o crédito equivale a 155% do PIB e Estados Unidos, onde chega a 187% do PIB.

No que diz respeito ao crédito imobiliário, o Brasil também tem um longo caminho a percorrer quando comparado a economias avançadas. Segundo a Fazenda, o déficit habitacional brasileiro, estimado entre 6 e 8 milhões de unidades, permite a expansão do mercado com linhas do financiamento mais abundantes e acesso por parte de todos os segmentos da sociedade. O crédito imobiliário no País atualmente corresponde a apenas 3,3% do PIB. Nos EUA, essa relação chega a 78% e na Dinamarca é de 100%.

Estoque de crédito

A oitava edição do documento "Economia Brasileira em Perspectiva", divulgado pelo Ministério da Fazenda, reduziu a previsão de estoque de crédito em proporção do PIB ao final de 2010. A nova estimativa prevê que o volume ficará no patamar de 48% do PIB ao final deste ano, ante previsão anterior de 48,5%.

Ainda assim, este nível, se confirmado, será o maior da série histórica. De acordo com o documento, a estimativa foi feita considerando-se a expectativa de aumento médio de 20% nos desembolsos neste ano.

O documento também revisou para cima a estimativa de participação do BNDES no total de empréstimos do sistema financeiro nacional em 2010. A previsão anterior, que constava da 7ª edição, era de 20,2% e a nova avaliação estima uma participação de 21,1%. Segundo o documento, esse porcentual mantém-se no patamar histórico de participação.

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