Endividamento do consumidor cai para 58% em janeiro

O número de consumidores da capital paulista que possuem algum tipo de dívida voluntária (cheque especial, cartão de crédito, empréstimo pessoal ou prestações em geral) totalizou 58% dos entrevistados neste mês de janeiro, segundo levantamento divulgado nesta segunda-feira pela Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP). De acordo com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) da entidade, o resultado representou queda de 3 pontos porcentuais sobre o mês anterior e de 5 pontos sobre janeiro de 2006.Quanto ao porcentual daqueles que possuem contas em atraso, o estudo da Fecomercio-SP também apontou diminuição, de 2 pontos, entre dezembro de 2006 e janeiro de 2007, para 41%. Em relação ao mesmo mês do ano passado, houve alta de 2 pontos.Na avaliação do presidente da Fecomercio-SP, Abram Szajman, a queda do endividamento reflete, "provavelmente", a diminuição na tomada de novos empréstimos pelos consumidores. "Isso porque grande parte deles já recorreu ao crediário durante as compras de Natal", explicou. "Embora a inadimplência também tenha apurado retração, ambos os indicadores continuam em patamares elevados", ressaltou Szajman.A Peic mostrou também que o comprometimento da renda com a quitação de dívidas aumentou 3 pontos porcentuais, de 32%, em dezembro, para 35% em janeiro. Além disso, o índice dos consumidores que têm intenção de pagar total ou parcialmente suas dívidas em atraso atingiu 62% em janeiro, queda de 5 pontos sobre o mês anterior. A parcela dos que não poderão pagar seus compromissos subiu para 36%, contra 33% em dezembro.Quanto ao prazo médio de endividamento, prevaleceu (46%) o de três meses a um ano. Para 23% dos consumidores, o prazo é de três meses e, para 31%, supera um ano.Faixas de rendaDe acordo com a Peic, o endividamento é mais preocupante entre aqueles que ganham até três salários mínimos: 69% do total entrevistado. Entre os consumidores com vencimentos de três a dez salários, a proporção é um pouco menor: 64%. Já entre os que possuem renda acima de dez salários, o porcentual é de 41%.A parcela de endividados com contas em atraso também é maior entre os que recebem até três mínimos: 54%. Na faixa dos que ganham de três a dez salários, é de 38%; e, acima deste patamar de vencimentos, é de 28%.Quanto ao comprometimento da renda com dívidas, o panorama é bastante semelhante. Entre os com vencimentos de até três salários, o porcentual é de 36%; a parcela dos consumidores com rendimentos entre três a dez mínimos têm 35% de sua renda comprometida com dívidas; e, entre os que possuem renda superior, o porcentual é de 34%.Outra constatação, segundo a entidade paulista, é de que, quanto maior a renda, maior a intenção de liquidar as pendências. Entre os consumidores com rendimentos de até três salários, a intenção de pagar total ou parcialmente as dívidas foi citada por 48% dos entrevistados.No universo dos que ganham acima de 10 mínimos, o porcentual é de 79%. "O dado confirma a tese de que grande parte dos consumidores contrai dívidas por necessidade e não por oportunidade", destacou a Fecomercio-SP.A Peic é apurada mensalmente pela Fecomercio-SP desde 2004. Os dados são coletados junto a aproximadamente 1.300 consumidores no município de São Paulo.

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