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Endividamento do paulistano sobe para 49% em agosto

Pesquisa da Fecomercio revela também que taxa de inadimplência subiu para 19% ante 17% em julho

Lucinda Pinto, da Agência Estado,

26 de agosto de 2009 | 11h51

O endividamento das famílias paulistanas voltou a crescer no mês de agosto. Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) realizada pela Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio), o índice de endividamento subiu de 46% em julho para 49% em agosto. Acompanhando o avanço do crédito, a inadimplência também cresceu. O total de famílias com contas em atraso alcançou o patamar de 19% em agosto, ante os 17% apurados em julho. O número contraria a trajetória declinante observada nos meses anteriores (21% em maio, 20% em junho e 17% em julho).

 

A quantidade de famílias que acreditam não ter condições de pagar total ou parcialmente suas contas nos próximos meses também subiu de 5% em julho para 8% em agosto. Segundo Adelaide Reis, economista da Fecomercio, o resultado de agosto deve-se à elevação da massa real de salários (cresceu 3,2% em julho de 2009 em comparação a julho de 2008), ao aumento do prazo médio do financiamento ao consumidor e à redução das taxas de juros dos financiamentos oferecidas pelos bancos públicos, fruto do corte no spread. Soma-se a isso, o fortalecimento da confiança do consumidor no desempenho da economia nacional.

 

"Como a intenção de consumir continua em alta e a oferta de crédito está em expansão, há um retorno da tendência de aumento do endividamento das famílias paulistanas no horizonte próximo", afirma Adelaide. Quanto à inadimplência nos próximos meses, permanece o risco de crescimento em decorrência do aumento das operações de crédito e das altas taxas de juros em vigor no Mercado.

 

Dentre as modalidades de crédito disponíveis, o cartão de crédito continua sendo a mais utilizada pelo paulistano. Em agosto, o cartão de crédito foi responsável por 65% das dívidas assumidas pelas famílias da cidade de São Paulo, contra 61% em julho. Já a utilização do cheque especial passou de 8% em julho para 9% em agosto. Os carnês permanecem estáveis com 38% das dívidas contraídas este mês e o crédito pessoal segue com 12%.

 

Na contramão da expansão do crédito, também cresceu o porcentual de consumidores que não pretendem contrair dívidas nos próximos meses, de um total de 90% em julho para 92% em agosto. Os que planejam comprar a crédito no futuro próximo representam apenas 7% dos consumidores entrevistados este mês.

 

Quanto ao prazo médio de comprometimento da renda dos consumidores com dívidas, a Peic indica que, em agosto, mais da metade dos entrevistados (51%) têm renda familiar comprometida com o pagamento de dívidas por até seis meses. Outros 28% do total têm a renda familiar comprometida por mais de um ano com pagamento de dívidas.

 

A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) coleta dados junto a cerca de 1.360 consumidores no município de São Paulo.

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