Endividamento e economia mais fraca reduziram venda de veículos, diz IBGE

Vendas de veículos e motos no mês de setembro caiu 5,1% na comparação com agosto

Idiana Tomazelli, Agência Estado

13 de novembro de 2013 | 11h49

RIO - A redução de 5,1% nas vendas de veículos e motos no mês de setembro sobre agosto é reflexo de um contexto econômico menos favorável. "Houve realmente uma redução no volume de vendas, por causa de fatores econômicos, refletindo o que o mercado está dizendo", afirmou o gerente da coordenação de Serviços e Comércio do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Reinaldo Pereira. "Isso não impede que, no mês seguinte, o setor esteja crescendo", acrescentou.

Para Pereira, o comércio retrata o comportamento da economia como um todo. "Se a economia não está deslanchando como era esperado em termos de produção, ou do próprio crescimento, isso também reflete no comércio." A técnica Aleciana Gusmão ressaltou ainda que, apesar da manutenção na disponibilidade de crédito, o endividamento das famílias também pode levá-las a demandar menos produtos duráveis - o que se percebe também em móveis e eletrodomésticos, que tiveram queda de 0,2% em setembro ante agosto.

Além disso, as políticas de estímulo, como a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e o programa Minha Casa Melhor, não têm o mesmo impacto ao longo do tempo. "Elas perdem força em relação ao observado no primeiro momento", disse Aleciana.

Outro fator, porém, contribuiu para a queda nas vendas de veículos. Segundo Pereira, o processo de ajuste sazonal distribui o impacto dos feriados ao longo do ano, ainda que eles se concentrem em poucos dos 12 meses. "Há também uma explicação técnica", afirmou o técnico.

Apesar disso, o setor de veículos teve alta de 13,9% em setembro contra setembro de 2012, revertendo as quedas observadas no mesmo tipo de comparação nos meses de agosto (-12,7%) e julho (-1,8%). Segundo Aleciana, esse resultado é consequência da base de comparação mais baixa, uma vez que em agosto de 2012 houve uma corrida às concessionárias em função da determinação do governo de que aquele seria o último mês de desoneração para o setor - algo que não se verificou posteriormente, com a sequência de prorrogações do prazo para até dezembro deste ano.

No varejo ampliado, o setor de materiais de construção é o único que continua com bom desempenho. A alta foi de 10,1% em relação a setembro de 2012. Segundo Aleciana, o segmento ainda conta com redução do IPI como fator de impulsão das vendas.

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