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E-Investidor: como a queda do PIB afeta o mercado financeiro

Endividamento e inadimplência aumentam em São Paulo

O excesso de contas no começo do ano aumentou a quantidade de endividados e de inadimplentes na Região Metropolitana de São Paulo. Segundo dados divulgados ontem pela Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomércio), na comparação entre março de 2008 e 2009, o índice de inadimplência passou de 15% para 17%. De fevereiro para março, a alta foi de 7 pontos porcentuais, de 12% para 19%. Metade da população da região está endividada - crescimento de 12 pontos porcentuais na comparação com fevereiro.A maior concentração de endividados está na faixa da população que ganha por mês entre 4 e 10 salários mínimos - 52%. A faixa etária com maior comprometimento de renda, 52%, situa-se entre os 18 e 35 anos. Segundo a pesquisa, 5% das famílias acreditam que não terão condições de pagar as dívidas nos próximos meses, o que deve pressionar os índices de inadimplência. No mês anterior, a expectativa de calote atingia 4% dos entrevistados.A cautela é grande entre entre os consumidores. De acordo com o levantamento da Fecomércio, 86% não pretendem procurar nenhum tipo de financiamento nos próximos meses. A informação mostra que não há intenção de fazer novas despesas ou de aumentar o comprometimento da renda para pagar dívidas antigas.A precaução aparece em outro dado. Em março, o Índice de Confiança do Consumidor diminuiu 3,5% em relação a fevereiro. "O comportamento do endividamento das famílias para os próximos meses estará condicionado aos impactos da crise financeira internacional sobre a nossa economia, principalmente a variáveis de emprego e de renda", avalia Kelly Carvalho, economista da federação.BECO SEM SAÍDAA faxineira Aparecida Teresa Pereira, 55 anos, faz parte da grande lista de brasileiros endividados que não têm como negociar as pendências, principalmente por causa do desemprego.Moradora da zona leste de São Paulo, de passagem pelo centro da cidade, ela foi ao Serviço de Proteção do Crédito (SPC) para ver como andavam as dívidas. Tomou um susto ao receber uma folha de papel do funcionário. Entre Casas Bahia, Extra, Taií Financeira e Telefônica a soma, sem correção, é de R$ 1.261,73."Só vim dar uma olhada mesmo. Com a crise, o patrão teve de me mandar embora e estou desde novembro desempregada. E com o nome sujo não tenho chance de conseguir registro em carteira. Estou sem saber para onde ir", lamenta.Com as incertezas sobre quando voltará ao mercado de trabalho, ela passa longe das lojas de roupas e de eletrodomésticos. "Tem muita coisa em promoção, mas não posso nem pensar em fazer dívida", avalia Aparecida.Situação semelhante enfrenta Roberto Lopes, de 33 anos, motorista profissional. Desde 2005 ele só tem pego trabalhos eventuais. Há cinco meses nasceu o primeiro filho e as despesas aumentaram.O nome de Lopes está no cadastro do SPC porque não pagou o financiamento de cerca de R$ 8 mil que fez em 1995 no Itaú. "Vim até o centro ver um bico e aproveitei para passar aqui. Só vou pagar quando conseguir um emprego", avisa.

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