Endividamento e Inadimplência das famílias de São Paulo cai em fevereiro

Número de famílias com contas atrasadas teve maior queda desde outubro de 2009

Gustavo Uribe, da Agência Estado,

24 de fevereiro de 2010 | 17h30

O nível de endividamento das famílias paulistanas registrou ligeira queda em fevereiro, a segunda baixa mensal consecutiva. A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), apurada pela Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP) e divulgada nesta quarta-feira, 24, indicou queda de um ponto porcentual na taxa de endividamento, que passou dos 44% observados em janeiro para 43%. A diminuição representa, em números absolutos, que o total de famílias que têm dívidas caiu de 1,58 milhão para 1,53 milhão na capital paulista. Apesar de pequena, a queda foi a maior registrada pela Peic desde outubro de 2009, quando foi observada baixa de 4 pontos porcentuais. Em relação a fevereiro de 2009, a redução foi de 5 pontos porcentuais.

 

Além do recuo na taxa de endividamento, o balanço da Fecomercio-SP aponta queda do número de famílias com contas atrasadas. O levantamento identificou baixa de dois pontos porcentuais nessa categoria de dívida, que passou de 14% em janeiro para 12%. Em termos absolutos, cerca de 441 mil famílias efetuaram pagamentos das contas em atraso em fevereiro, ante 501 mil em janeiro. A queda, de acordo com a entidade, é a maior desde outubro de 2009, quando foi registrado recuo de 4 pontos porcentuais.

 

O levantamento também indicou baixa de um ponto porcentual no total de famílias inadimplentes, ou seja, aquelas que acreditam não ter condições de pagar total ou parcialmente suas contas nos próximos meses. O indicador passou de 6% em janeiro, para 5% em fevereiro e aponta que mais de 34 mil famílias deixaram a condição de inadimplente em fevereiro. O resultado, de acordo com a entidade, é a maior baixa desde junho de 2009 (de 3 pontos porcentuais).

 

Na avaliação da entidade, as quedas revelam que as dívidas feitas no período de agravamento da crise financeira mundial começaram a ser renegociadas e quitadas a partir do segundo semestre de 2009. "Houve elevação da massa real de salários, aumento do prazo médio de financiamento ao consumidor e redução das taxas de juros", ressaltou Adelaide Reis, economista da Fecomercio-SP. A entidade cita ainda os bons resultados observados na economia, sobretudo nos indicadores de emprego e de renda, ambos em crescimento.

 

Perfil da dívida - A Peic traçou ainda um perfil das dívidas feitas pelos paulistanos em fevereiro. O cartão de crédito, endividamento mais frequente entre as famílias, lidera o ranking com 68%, resultado superior aos 65% registrados em janeiro. Entre as demais modalidades de financiamento do consumidor, destacam-se os carnês (31%), o crédito consignado (10%), o cheque especial (10%) e o financiamento de veículos (10%).

 

Protestos - Outra pesquisa relacionada à pessoa física divulgada nesta quarta-feira (24) foi o indicador da empresa de informações econômicas Equifax sobre o total de títulos protestados na Região Sudeste. Em dezembro de 2009, de acordo com a pesquisa, foram registrados 193.769 protestos, queda substancial de 10,63% ante o mesmo mês de 2008, período de agravamento da crise financeira mundial no País. Na comparação com novembro de 2009, o total de protestos registrou recuo de 0,85%.

 

De acordo com a entidade, as duas quedas resultam, sobretudo, da melhoria do ambiente de negócios a partir do segundo semestre de 2009, com crescimento da renda familiar, queda da taxa de desemprego, aumento do volume de crédito e inflação baixa. Para os próximos meses, a Equifax espera a manutenção da atual tendência de queda na inadimplência. "A situação de recuperação econômica deve garantir tal cenário", avaliou.

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