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Enel leva goiana Celg por R$ 2,1 bi na 1ª privatização de Temer no setor elétrico

Oferta pela distribuidora obteve ágio de 28%; Eletrobrás receberá R$ 1 bilhão por sua fatia na companhia

Reuters

30 Novembro 2016 | 13h33

A elétrica italiana Enel arrematou por R$ 2,187 bilhões a distribuidora de energia elétrica goiana Celg-D, controlada pela Eletrobrás, ao ser a única a apresentar proposta no leilão que marcou a primeira privatização no setor elétrico do governo Michel Temer.

O resultado do certame nesta quarta-feira, na sede da BM&FBovespa, surpreendeu autoridades pelo ágio de 28% em relação ao preço teto que havia sido estabelecido para a fatia de cerca de 95% da Celg que foi colocada à venda.

O ágio ocorreu mesmo com a Enel sendo única a apresentar oferta da última sexta-feira. 

A licitação também satisfez as autoridades porque a companhia italiana já atua no Brasil, onde possui distribuidoras no Ceará e no Rio de Janeiro. A elétrica também anunciou recentemente que pretende investir 3,2 bilhões de euros no Brasil até 2019.

"Estamos nos deparando com um grupo consagrado, que já conhece as regras e o sistema", comemorou o diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), André Pepitone, em coletiva de imprensa após a licitação.

O diretor da Enel para o Brasil, Carlo Zorzoli, disse que a companhia pagará pela compra da Celg no final de janeiro, à vista, e que o grupo ainda tem fôlego para novos negócios no país.

"O desenvolvimento do grupo Enel no Brasil não acaba hoje... temos não só crescimento em novas oportunidades, mas também um plano de investimento em nossas concessões focado em qualidade, modernização", disse.

Agora, com a concretização do negócio, a Eletrobrás receberá R$ 1,065 bilhão por sua fatia na Celg-D, enquanto o restante do valor a ser pago pela Enel irá para os cofres do governo de Goiás, que era minoritário na empresa.

Segundo o presidente da Eletrobrás, Wilson Ferreira Jr., os recursos serão utilizados para pagar dívidas mais caras e curtas da estatal e também para bancar o plano de investimentos da companhia, que prevê aportes de R$ 35,8 bilhões entre 2017 e 2021.

Novas privatizações. O presidente da Eletrobrás também ressaltou que a estatal pretende vender mais seis distribuidoras de energia elétrica até o final de 2017 e que o resultado do leilão da Celg-D mostra que deve haver apetite por esses ativos.

As distribuidoras que a Eletrobrás pretende privatizar em seguida atuam em Acre, Alagoas, Amazonas, Rondônia, Roraima, Piauí.

"Tem muito valor nessas companhias... não tenho dúvida de que há muito valor a ser extraído dessas concessões... elas têm perdas (de energia) muito altas, e isso é uma coisa boa para bons operadores. E também estão em Estados em que, a economia entrando agora em um processo de recuperação, certamente têm potenciais muito grandes de crescimento", disse Ferreira.

O secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Paulo Pedrosa, também disse que as demais distribuidoras da Eletrobras irão brevemente ser oferecidas ao mercado e que o governo prevê sucesso também nesses leilões.

"Até 2017 essas empresas serão vendidas, agora estamos discutindo com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) (a metodologia de venda) para capturar melhor o valor delas. A venda ocorrerá até o final de 2017", disse.

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