Alex Silva/Estadão
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Energia e alimentação pressionam os gastos do brasileiro

Inflação de março se concentrou em itens essenciais como aluguel, alimentos e taxas de água e esgoto

Idiana Tomazelli, O Estado de S. Paulo

08 Abril 2015 | 11h13

RIO - A alta de 1,32% no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de março se concentra em itens que são essenciais às famílias brasileiras, afirmou nesta quarta-feira Eulina Nunes dos Santos, coordenadora de Índices de Preços do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

Diante da pressão em tarifas, principalmente da energia elétrica, e dos alimentos mais caros, a taxa do IPCA em 12 meses acumulou uma elevação de 8,13% até março. 


"O consumidor está pagando mais por vários produtos, mas principalmente para se alimentar e para morar, para usar energia. Aluguel, condomínio, artigos de limpeza, taxa de água e esgoto têm ficado mais caros", afirmou Eulina.

As energia elétrica ficou em média 22,08% mais cara em março, enquanto os ônibus avançaram 0,85%. Já os alimentos ficaram 1,17% mais caros, segundo o IBGE.

"Nesse resultado, temos influência forte da energia elétrica. Além disso, há o realinhamento das tarifas de ônibus, pois muitas não aumentaram no ano passado. Há uma pressão forte das tarifas, mas de alimentos também", disse Eulina. "Quando a gente olha os produtos, se concentra em itens que são os mais importantes, os essenciais. Consumimos todos os dias", acrescentou.

Com o realinhamento das tarifas e a pressão de alimentos desde janeiro, a taxa em 12 meses do IPCA pulou para a casa dos 7% tanto em janeiro quanto em fevereiro. "Agora, com pressão mais forte das tarifas, especificamente de energia, a taxa ultrapassou barreira dos 8%", notou Eulina. 

Mês atípico. O resultado de março do IPCA também inverteu uma tendência histórica, disse Eulina. No mês passado, o IPCA subiu 1,32%, acima do resultado de fevereiro (1,22%). A taxa de março ainda foi a maior desde fevereiro de 2003. "Como os reajustes das escolas são apropriados em fevereiro, em geral numa taxa alta, então o que se vê em vários anos é que o mês de março tende a ser inferior a fevereiro, o que não se vê neste ano", disse.

Segundo Eulina, a concentração de reajustes de preços administrados, em especial da energia elétrica, combinada com a pressão sobre os alimentos, contribuiu para o fenômeno. 

No caso da conta de luz, o aumento não é recente. No acumulado em 12 meses, a elevação é de 60,42%. "Isso quer dizer que, se há um ano uma pessoa pagava R$ 100 numa conta de luz, agora paga R$ 160,42", sintetizou a coordenadora.

Eulina lembrou ainda que a alta nos preços da energia elétrica têm impacto sobre outros produtos e serviços, o que pode pesar ainda mais no orçamento das famílias. "O aumento da energia elétrica tem influência sobre outros preços. Restaurantes, escolas, churrascarias. A luz aumentou para todo mundo, não só para as residências", disse. 

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