Energia elétrica fica mais barata no mercado atacadista

Os preços de referência de energia elétrica no mercado atacadista voltaram a registrar queda, caindo para R$ 85,44 por megawatts a hora (MG/h) nos mercados do Sudeste/Centro-Oeste, Sul e Norte. Esse patamar representa recuo de 4,05% em relação aos níveis atuais. Em duas semanas, a queda acumula 9,01% nesses três sub-mercados, após atingir R$ 93,90 por MW/h no início de julho, o mais elevado este ano.No sub-mercado do Nordeste, os preços continuam em níveis baixos, em torno de R$ 28,42 por MW/h na média, com ligeira queda (0,77%) em relação aos níveis atuais. Os preços no mercado de atacado servem como referência para a liquidação de compra e venda entre as geradoras, as distribuidoras e os grandes consumidores de energia.O cenário que tem pressionado os preços este ano, porém, permanece praticamente inalterado. A região Sul continua registrando uma seca inesperada, o que fez com que os reservatórios das hidrelétricas da região continuem muito abaixo dos níveis previstos pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).Na quinta-feira, o nível dos reservatórios estava em torno de 28,99% da capacidade de armazenamento. Esse patamar ainda garante segurança no abastecimento regional, já que está 15,99 pontos percentuais acima da curva de aversão ao risco, mas está muito abaixo do observado nos últimos cinco anos.O suprimento normal no Sul só tem sido possível devido as transferências maciças de energia do Sudeste. Na semana passada, em reunião de emergência, o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) autorizou o ONS a elevar para até 5.300 MW médios a transferência de energia do Sudeste para o Sul. Ontem, a média das transferências atingiu 5.357 MW médios, o que ilustra a crescente interligação entre os diferentes mercados brasileiros.SecaAs chuvas no Sul estão em torno de apenas 19% da média histórica e o atual período está se configurando como a pior seca de todos os tempos na região, pelos registros do ONS.No Sudeste, os reservatórios estão em torno de 75,13% da capacidade máxima de armazenamento, com sobra de 23,07 pontos percentuais em relação à curva de aversão ao risco. Como o Sudeste responde por dois terços da capacidade de armazenamento do País, a situação continua tranqüila, quando se considera o horizonte de dois anos.O ONS tem mantido a transferência de energia do Norte para o Sudeste, para contrabalançar o maior volume que essa região está enviando para o Sul. Com isso, as transferências para o Nordeste caíram para patamares mínimos. O armazenamento na região está em torno de 85,46% da capacidade dos reservatórios, com sobra de 44,56 pontos em relação à curva de aversão ao risco.O consumo de energia elétrica este mês no Sudeste está ligeiramente acima das previsões do ONS devido ao maior calor. A carga diária (consumo mais perdas), tem ficado acima de 30.000 MW médios, quando a previsão do Programa Mensal de Operações (PMO) era de 28.274 MW médios. Nas demais regiões, porém, o consumo está abaixo das previsões, com queda de 1,13% no Sul, de 1,36% no Norte e de 1,77% no Nordeste.

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