Omar Freire/Imprensa MG
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Energia eólica é destaque em leilões

Quase metade do total de energia vendida em dois pregões é de usinas movidas pelo vento

Renée Pereira, O Estado de S.Paulo

19 Agosto 2011 | 00h00

A energia eólica foi a grande vedete dos dois leilões realizados esta semana pelo governo federal. Da capacidade total comercializada entre quarta-feira e ontem, 48% são de usinas movidas pelo vento. Como nas disputas de 2009 e 2010, o preço médio das eólicas surpreendeu. Desta vez ficou abaixo de R$ 100 o megawatt/hora (MW), mais barato que o da energia hidrelétrica comercializada no leilão.

Na quarta-feira, foram vendidos 1.067 MW pelo preço médio de R$ 99,58. Na disputa de ontem, foram contratados 861 MW por R$ 99,54. Em ambos os casos, os projetos terão de ser concluídos até 2014, ano da Copa do Mundo, no Brasil. Os números dos dois leilões surpreenderam até mesmo o presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), Ricardo Simões.

Segundo ele, quando se imagina que os preços chegaram ao limite, as empresas inauguram um novo patamar. Em 2009, o governo contratou energia eólica por R$ 140 o MWh; em 2010, por R$ 130 e agora por R$ 99.

Para Simões, a explicação está na crise econômica que afeta Estados Unidos e Europa. "Está claro para os fabricantes de equipamentos que os mercados americano e europeu não vão retomar o volume de encomendas na indústria. Por isso, eles estão reduzindo a margem do preço dos geradores para conquistar mercados no Brasil."

Simões acredita que a concorrência entre os fabricantes possa se acirrar ainda mais nos próximos leilões (ele espera que, depois do resultado desta semana, o governo inclua a energia eólica no leilão de dezembro). Exemplo de como o País se tornou importante no mundo eólico é o número de associados da Abeeólica. Em 2009, eram 12 empresas. Subiu para 54 no ano passado e agora está em 92 associados.

Polêmica. Além de ser mais barata que a energia hídrica negociada no leilão, o preço da eólica também ficou abaixo da térmica movida a gás natural, negociada a R$ 103,26 o MWh. Desde o início, a participação das termoelétricas esteve envolvida em muita polêmica, já que a Petrobrás estipulou cláusula de inflexibilidade mínima de 30% para os compradores do combustível. Por serem produtoras, a Petrobrás e a MPX, do empresário Eike Batista, conseguiram ser as únicas a terem seus projetos de usinas térmicas a gás natural contratados na íntegra.

"Foi bastante acirrado", afirmou o diretor de Relações com Investidores da Renova, Pedro Pileggi. Dos 424 MW inscritos nos leilões, a empresa comercializou 213 MW de 9 parques eólicos. Todos no Nordeste, na região de Caetité, na Bahia. Para o executivo, outra fonte que surpreendeu foi a biomassa, que nos últimos leilões não vinha apresentando competitividade.

Embora a quantidade comercializada tenha sido menor que a das demais fontes, o preço foi animador para o mercado: R$ 102,41 o MWh. O mercado acredita que a redução do valor possa ser reflexo dos incentivos fiscais concedidos pelo governo de São Paulo há alguns meses.

Nos dois dias de leilão, o governo federal contratou 3.961 MW de potência por prazos que variam entre 20 e 30 anos. A movimentação financeira alcançou R$ 37 bilhões. Já o volume de investimento necessário para construir todos os empreendimentos negociados nas duas disputas soma quase R$ 10 bilhões. / COLABOROU WELLINGTON BAHNEMANN

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