Energia eólica vai cada vez mais para o alto

Novas tecnologias permitem construção de torres bem maiores que as atuais para aproveitar os ventos mais fortes na geração elétrica

DIANE CARDWELL, THE NEW YORK TIMES, O Estado de S.Paulo

22 de março de 2014 | 02h09

O setor de energia eólica tem se esforçado muito ao longo dos anos para abocanhar as melhores propriedades para suas fazendas, buscando com frequência áreas remotas em pradarias ou cadeias montanhosas distantes para uma produção máxima de energia com mínima oposição de comunidades. Agora, ele está se estendendo para o alto.

Com novas tecnologias que permitem que os desenvolvedores construam máquinas mais altas girando hélices mais compridas, o setor tem conseguido produzir mais energia a um custo mais baixo ao capturar os ventos mais fortes que sopram em alturas maiores. Isso abriu novos territórios em lugares como Michigan, Ohio e Indiana, onde o preço da eletricidade de turbinas construídas de 90 a 120 metros acima do chão agora pode competir com o de fontes convencionais como o carvão.

E os esforços para captar o vento poderão subir ainda mais. No exemplo mais extremo, talvez, uma empresa iniciante chamada Altaeros Energies está se preparando para introduzir seu primeiro piloto comercial de uma turbina eólica flutuante no Alasca. Conhecida como BAT - de Buoyant Airborne Turbine -, a enorme rosca branca cheia de hélio rodeando um rotor flutuará a cerca de 300 metros de altitude e produzirá eletricidade suficiente para alimentar mais de uma dezena de casas por um dos cabos que a prendem ao solo.

Mas a expansão para o céu já decolou em todo o setor eólico, transformando partes do Meio-Oeste antes evitadas em potências em energia eólica.

Ali, seis anos atrás, a velocidade dos ventos a 60 metros de altura não era suficientemente forte para justificar o desenvolvimento de energia eólica, disse Elizabeth Salerno, economista-chefe e diretora de dados e análises industriais da Associação Americana de Energia Eólica, a principal associação comercial do setor.

Em Michigan, por exemplo, havia fazendas eólicas sem escala de distribuição operando em 2008, disse Elizabeth. Agora, elas são suficientes para produzir 1.000 megawatts de eletricidade, podendo eletrificar centenas de milhares de casas.

Os preços caíram tanto - em alguns casos, cerca de 4 centavos de dólar por quilowatt-hora - que as distribuidoras têm aumentado a quantidade de energia eólica que estão dispostas a comprar em contratos de longo prazo, e reguladores dizem que é sua opção mais barata. Ao mesmo tempo, porém, o ímpeto provocou alguma oposição de moradores dessas novas áreas, que fazem objeção às turbinas eólicas industriais muito altas.

"Não é apenas mais vento nos lugares que já conhecemos", disse Elizabeth. "Isso está potencialmente abrindo regiões como o Sudeste e outras onde elas talvez não sejam econômicas hoje, mas poderão ser no futuro. É nesse rumo que estamos seguindo." As turbinas eólicas flutuantes levam essa dinâmica ainda mais longe, embora, por enquanto, elas só possam competir em lugares onde o preço de outras opções, como o óleo diesel, é muito mais alto.

Competição. Outras companhias além da Altaeros tentaram desenvolver sistemas eólicos flutuantes. Por exemplo, a Makani Power está trabalhando em uma turbina com hélices que, segundo seu site, voa em círculos. Ela foi adquirida pelo Google no ano passado, mas a tecnologia ainda precisa ser aperfeiçoada.

No Alasca, porém - como em outras regiões remotas, representando um mercado multibilionário que a Altaeros pretende explorar -, os custos da energia são tão altos que mesmo uma tecnologia promissora, mas não provada, é economicamente viável, segundo autoridades. "Particularmente para o Alasca, eliminar os custos associados à instalação elétrica torna esse tipo de empreendimento muito atraente", disse Alan Baldivieso, gerente de programa de energia hidrocinética, geotérmica e emergente do Departamento de Eletricidade do Alasca. O departamento repassou à Altaeros US$ 1,3 milhão de seu Fundo de Tecnologia Energética Emergente para apoiar o teste do equipamento por 18 meses, com a ideia de expandir seu uso.

Custo. "Nosso maior foco é no custo, porque ele é muitíssimo alto em certas partes do Alasca", disse Sean Skaling, vice-diretor de energias alternativas do departamento. "Um belo subproduto é que ela é também tipicamente mais verde e mais limpa, se for menos cara."

Ben Glass, diretor-presidente da Altaeros, espera que a companhia consiga oferecer eletricidade a cerca de 18 centavos de dólar por quilowatt-hora, alto demais para mercados mais convencionais, mas ainda bem abaixo dos 35 centavos por quilowatt-hora que são pagos em áreas remotas do Alasca.

Em algumas partes do Alasca, os preços podem alcançar até US$ 1 por quilowatt-hora, quase dez vezes a média nacional. Atender mercados como esse pode ajudar a companhia a estabelecer seu negócio e baixar custos para no final competir por projetos de maior escala. / TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK

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