Energia: manter o plano até 2002 é mais seguro

Especialistas do setor elétrico consideram arriscado acabar totalmente com o racionamento de energia em novembro. Embora o nível dos reservatórios nas Regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste esteja acima da previsão estabelecida no início do contingenciamento de energia, é cedo para prever as condições das bacias nos próximos três meses, explicam técnicos do Operador Nacional do Sistema (ONS). Isso não significa, porém, que o governo não possa promover alguma diminuição nos patamares de economia de eletricidade, completam. Além dos níveis de chuvas nos próximos meses, essa decisão dependerá também do plano de expansão da geração de energia. De acordo com técnicos, cada 1.600 megawatt/médios (MW) incluídos no sistema elétrico representa aumento de 1% no nível dos reservatórios do Sudeste - que deverão fechar o ano com 16% de capacidade, caso a população continue economizando.Para o diretor de infra-estrutura industrial da Fiesp, Pio Gavazzi, não seria uma decisão acertada decretar o fim do racionamento em dezembro. "Antes é preciso recuperar o nível dos reservatórios, para não termos de enfrentar outro plano de redução em 2002." Mas ele considera de bom senso o governo continuar adequando as regras do plano de acordo com a melhora no cenário energético. Decisão políticaPara o presidente da Associação Brasileira da Infra-Estrutura e Indústrias de Base (Abdib), José Augusto Marques, a melhor alternativa é manter o racionamento nos níveis atuais até o mês de março de 2002. De acordo com ele, uma pesquisa realizada entre agentes do setor revelou que mais de 75% optaram pela manutenção da redução de energia. "Tecnicamente, para termos garantia, o correto é manter o plano com 20% de economia até 2002; caso contrário, será uma decisão política." Nos próximos meses, porém, o governo poderá ter uma posição mais firme. Segundo Gavazzi, as chuvas já começam na segunda quinzena de outubro e se estendem, com mais intensidade, durante o mês de novembro. Além disso, novas máquinas deverão começar a entrar em operação, como térmicas, hidrelétricas e barcaças. O diretor da Fiesp acredita também que a decisão do governo de estender o pagamento de bônus para consumidores que gastam até 225 kWh tende a incentivar novamente a redução do consumo de energia, o que ajuda a recuperar o nível dos reservatórios (veja mais informações no link abaixo). ManutençãoOutro ponto importante é que, mesmo com o fim do racionamento, a economia de energia deverá permanecer durante os próximos anos no nível de 7%. Isso devido aos novos costumes adquiridos pelos brasileiros. Além disso, vários equipamentos e lâmpadas foram trocados por outros mais eficientes. De acordo com técnicos do ONS, os consumidores também vão sentir o peso da energia mais cara.

Agencia Estado,

04 de setembro de 2001 | 09h10

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