Energia renovável será motor da economia global

Busca de soluções para o aquecimento global é apontada pelo Fórum Econômico Mundial como fator que vai motivar revolução tecnológica

Cláudia Trevisan, O Estadao de S.Paulo

12 de setembro de 2009 | 00h00

O poderoso motor do consumo americano entrou em pane e a pergunta que o mundo se faz é quem será responsável por sustentar o crescimento global a partir de agora. Tudo indica que a tarefa será dividida por vários atores, entre os quais estão a China, a classe média dos países emergentes e o aquecimento global.

Mais do que uma limitação, a mudança climática foi apontada ontem na reunião do Fórum Econômico Mundial em Dalian, na China, como um dos fatores que promoverão uma nova revolução tecnológica, de onde a economia global poderá retirar forças para crescer de maneira sustentável.

O desenvolvimento de fontes de energia renováveis está no topo da agenda dos EUA e da China, os dois países que definirão o futuro próximo do planeta. "A mudança climática é a oportunidade para uma nova revolução tecnológica que poderá ser uma nova fonte de crescimento global, com soluções que aumentem a eficiência energética", declarou o vice-presidente do Deutsche Bank, Caio Koch-Weser, em painel sobre o futuro da economia mundial.

O novo embaixador dos EUA na China, Jon Huntsman, concordou que a "revolução energética" será um dos pilares do relacionamento entre os dois países e uma das fontes de expansão global.

A possibilidade de a China substituir os EUA no papel de locomotiva do mundo não aparece nos cenários de médio prazo dos economistas. Com nível de US$ 3.300, a renda per capita dos chineses equivale a menos de um décimo da dos americanos. De acordo com Sthephen Roach, chairman do Morgan Stanley na Ásia, no ano passado, o consumo nos EUA alcançou a cifra de US$ 10 trilhões. Na China, ele ficou em US$ 1,25 trilhão.

"Talvez demore 100 anos para a China alcançar os EUA", observou Cho Tak Wong, presidente da Fuyai Glass Industry Group, que produz vidros para a indústria automobilística mundial. Ele lembrou que o porcentual da população chinesa que vive na zona rural atualmente - 55% - não é muito distante do índice de 60% que os EUA tinham há um século.

David Li, professor da Universidade Tsinghua, ressaltou que o único caminho para os chineses elevarem o consumo doméstico é o aumento da renda. "Nos últimos anos, a parcela da renda na composição do PIB diminuiu em vez de subir, porque a produtividade cresceu mais rapidamente que a renda." A redução do consumo nos EUA trouxe um problema adicional para a China: o excesso de capacidade produtiva decorrente da retração do principal comprador de suas exportações.

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