Energisa vai captar R$ 2,5 bi com ajuda do BNDES

Empresa é dona de 13 distribuidoras de energia, incluindo as do Grupo Rede, em recuperação judicial; operação vai ajudar a viabilizar investimentos até 2016

André Magnabosco, O Estado de S.Paulo

22 Setembro 2015 | 02h03

A Energisa, uma das maiores companhias do setor de distribuição de energia do País, anunciou ontem um conjunto de medidas para captar R$ 2,5 bilhões. O valor, equivalente ao investimento a ser realizado pelas 13 distribuidoras do grupo em 2015 e 2016, virá de uma operação de aumento de capital, de um empréstimo por um consórcio de bancos comerciais e de uma operação de emissão de debêntures. O modelo foi acordado pela companhia, o acionista controlador Gipar e o braço de investimentos do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

A primeira etapa do plano de reforço da estrutura de capital da Energisa virá de um aumento de capital privado, garantido pelos acionistas da companhia. O preço de emissão das ações será de R$ 13,75 por unit, ou R$ 2,75 por ação, o que resultará na captação de R$ 250 milhões. Além do aumento de capital, a Energisa receberá R$ 1,25 bilhão dos bancos Itaú, Bradesco, BTG Pactual e Citibank, no âmbito de repasse dos programas Finame e Finem. O risco de crédito das 13 distribuidoras do grupo será assumido pelos bancos, em um modelo proposto pelo BNDES.

O banco de fomento também participará da terceira etapa da operação, liderada pelo BNDESPar. O braço de participações do BNDES concordou em dar garantia firme a uma operação de até R$ 1 bilhão em debêntures simples conjugadas com bônus de subscrição. Metade das debêntures poderá ser utilizada em nova operação de aumento de capital. O modelo prevê, dessa forma, que a fatia máxima do BNDES na operação será de 40% dos R$ 2,5 bilhões.

A Energisa destinará 100% do R$ 1,25 bilhão a ser repassado pelos bancos comerciais para o programa de investimentos das distribuidoras. A maior parte, ou 78% do total (R$ 983 milhões), vai para empresas do Grupo Rede. Os R$ 250 milhões do aumento de capital e o R$ 1 bilhão da emissão de debêntures serão alocados na holding Energisa S/A.

Essa operação de emissão de ações está prevista na modelagem acertada entre as partes, a qual determina também o cumprimento de outras premissas por parte da Energisa. Entre elas está a adesão ao nível 2 de governança corporativa da BM&FBovespa em até 48 meses a partir da data de emissão das debêntures.

Para aderir ao nível 2, a empresa precisa ter 25% de ações em circulação no mercado (free float). Por isso, a Energisa fará nova oferta de ações, equivalente a 23% das ações da companhia, após o aumento de capital de R$ 250 milhões anunciado ontem. Os bônus de subscrição darão direito a aquisição de novas units (formada por 1 ação ordinária e 4 ações preferenciais) de emissão da Energisa ao preço equivalente a R$ 17, corrigido pelo IPCA, menos os proventos pagos.

"Essa oferta pública pode ser primária, pode ser 100% secundária, pode ser um misto. Isso será visto mais à frente. Mas, obviamente, isso significa que no futuro vai melhorar a liquidez das ações da Energisa, que hoje é baixa", afirmou Ricardo Botelho, presidente do Grupo Energisa, à Reuters.

Grupo Rede. Confirmadas as projeções da Energisa, o pacote de operações poderá estar concluído em novembro, mês em que o processo de recuperação judicial do Grupo Rede será finalizado. Ao comprar o Grupo Rede, em 2013, a Energisa ampliou de 5 para 13 o número de distribuidoras sob seu comando. Estão na lista, por exemplo, a Companhia Força e Luz do Oeste e a Borborema.

Desde que iniciou as negociações para adquirir o Grupo Rede, a Energisa promoveu outras medidas de adequação de estrutura de capital, entre elas um aumento de capital de R$ 350 milhões e a venda de ativos de geração por R$ 2,8 bilhões.

Questionado se a nova operação bilionária seria um movimento de fortalecimento financeiro para uma possível participação no processo de consolidação do setor de distribuição, Botelho descartou qualquer relação. "O pacote é desenhado para as estruturas atuais. Não está relacionado com outras possibilidades futuras. Nosso foco está em ajustar as empresas do Grupo Rede e entregar o foi prometido à Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica)", afirmou o executivo. (Com informações da Reuters).

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