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Eneva é a nova dona da OGX Maranhão

Empresa do grupo alemão E.ON aceita pagar R$ 200 milhões para comprar parte da OGX e assume passivo de R$ 600 milhões

JOSETTE GOULART , NAIANA OSCAR, O Estado de S.Paulo

31 de outubro de 2013 | 03h22

No mesmo dia em que a OGX entrou com um pedido de recuperação judicial, a petroleira também fechou a venda de um de seus projetos mais bem-sucedidos, a OGX Maranhão que explora gás no estado nordestino. A Eneva, do grupo alemão E.ON, acertou ontem a aquisição de 66,6% da empresa por R$ 200 milhões e a assunção de uma dívida de R$ 600 milhões com os bancos.

Segundo uma fonte próxima ao negócio, era uma tentativa de salvar a operação maranhense - uma das mais bem sucedidas do grupo - e levantar o dinheiro necessário para garantir a recuperação judicial da petroleira. Quando a operação for aprovada pelos órgãos reguladores, a ideia da OGX é usar os recursos para continuar a exploração do campo de Tubarão Martelo. Mas caso a Justiça carioca aceite o pedido de recuperação judicial da empresa, esta poderá ser uma decisão a ser tomada pelo administrador que for indicado pela Justiça. Os recursos, entretanto, podem ser fundamentais para recuperar de fato a empresa e dar esperanças aos credores da OGX.

A negociação durou três meses e o interesse do grupo alemão tem razão de ser. Desde janeiro de 2012, a E.ON é acionista da antiga MPX - empresa de energia do grupo de Eike. Em março deste ano, eles elevaram a fatia na empresa brasileira e assumiram, de fato, o controle, mudando inclusive o nome da companhia para Eneva.

O interesse na empresa de gás está no fato de que ela é a maior fornecedora do insumo para as usinas termelétricas da MPX que operam no Estado. O modelo de negócios vencedor em leilão de energia só foi possível pela combinação das duas atividades, então fazia todo sentido que a E.ON que aumentou sua participação na MPX fizesse o mesmo na OGX Maranhão, que produz o gás.

Como já era sócio da MPX antes mesmo de virar controlador, o grupo alemão já detinha um terço da OGX Maranhão. Agora, pelos termos do acordo para assumir integralmente a empresa, a Eneva vai assumir todo o passivo com os bancos Itaú BBA, Morgan Stanley e Santander. Em janeiro do ano passado, as três instituições fizeram um empréstimo ponte, realizado em parcelas idênticas, no valor total de R$ 600 milhões para financiar o desenvolvimento dos campos de Gavião Real e Gavião Azul, na bacia do Parnaíba.

A OGX Maranhão é uma Sociedade de Propósito Específico (SPE), que tem como sócias, desde o início, a OGX (66,6%) e a MPX(33,3%), hoje Eneva. A empresa detém sete blocos de exploração de gás na Bacia do Parnaíba, no Maranhão, que ocupam uma área de 21 mil metros quadrados. "Se a venda não se concretizasse, a recuperação judicial da OGX poderia afetar o fornecimento de gás para as usinas", diz uma fonte próxima às negociações. "E, por outro lado, sem esse dinheiro, a OGX quebraria sem conseguir entrar no processo de recuperação."

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