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Enfim, duas boas notícias

O recuo da inflação e a substancial melhora das contas externas são dois fatos positivos que não deixam de ser um oásis na atual safra de calamidades da economia brasileira

Celso Ming, O Estado de S.Paulo

23 de março de 2016 | 21h00

O noticiário de economia trouxe nesta quarta-feira dois fatos positivos que não deixam de ser um oásis neste desertão geral. Mas tem também uma notícia ruim, que tem a ver com o ajuste.

O primeiro fato positivo foi a inesperada baixa da inflação em março. Ainda não é a inflação do mês; cobre apenas o período de 30 dias entre meados de fevereiro e meados de março, o IPCA-15, mas veio substancialmente abaixo do 0,90% registrado pela evolução do IPCA de fevereiro e do IPCA-15, também de fevereiro (1,42%). Esse recuo foi suficiente para trazer a inflação medida em 12 meses para abaixo dos dois dígitos; ficou em 9,95%. (Veja gráfico ao abaixo.)

A inflação continua espalhada demais. O índice de difusão, que mede o número de itens da cesta de consumo que registrou alta de preços, ficou em 71,5%, inegavelmente elevado, embora mais baixo do que o de fevereiro (77,5% ).

Mas a melhor notícia é a de que há importante desaceleração do reajuste dos preços. É uma foto que ainda não define uma tendência, porque, depois de tudo, é preciso ver para crer. Mas é um bom sinal, que ganha uma valorização especial na atual safra de calamidades da economia brasileira.

A segunda informação positiva divulgada nesta quarta-feira foi a confirmação de substancial melhora das contas externas, o balanço que dá conta do fluxo de moeda estrangeira. O rombo (déficit em conta corrente), que registra receitas e despesas do País, com exceção do fluxo de capitais, recuou para 2,67% do PIB. Há um ano estava nos 4,5% do PIB. Confirma-se a expectativa de que, no início de 2017, essa diferença caia a zero.

As duas notícias positivas, o recuo da inflação e a substancial melhora das contas externas, estão baseadas na queda do consumo e, portanto, na recessão. O encalhe de mercadorias e a menor procura por serviços em consequência da retração do consumidor contiveram a alta de preços e reduziram as importações.

A contrapartida dessas notícias positivas é a notícia negativa (Veja o Confira). O desemprego avançou de 7,6% registrados em janeiro para 8,2% em fevereiro. Esse número ruim vem na mesma linha do que o Cadastro Geral dos Empregados e Desempregados (Caged) apontara na terça-feira, ou seja, a forte redução dos trabalhadores contratados com carteira assinada (emprego formal). A queda da renda real do trabalhador é consequência direta tanto do desemprego quanto da forte inflação. Em apenas um mês, caiu 1,5%.

Como a recessão não tem prazo para acabar, mas, ao contrário, tende a aumentar, segue-se que o desemprego também deve crescer. É provável que já no terceiro trimestre esteja à altura dos 10% da força de trabalho, um número de enorme impacto político negativo, especialmente na temporada eleitoral.

O diabo é que a área mais importante do ajuste segue atrasada e sem perspectiva de avanço. Trata-se da péssima situação das contas públicas. Os últimos arranjos anunciados pelo ministro da Fazenda são altamente insatisfatórios. Pressupõem receitas ilusórias, em especial a arrecadação que viria da criação da CPMF, hoje altamente improvável.

CONFIRA:

Aí está a evolução do desemprego. A principal diferença em relação aos números da Pnad-Contínua é a de que esta é feita por amostragem em todo o País; e a Pesquisa Mensal do Emprego em apenas seis das mais importantes regiões metropolitanas.

Expressões vazias

A partir do momento em que buscou refúgio no Supremo, o governo Dilma deixou de argumentar que os juízes, especialmente Sergio Moro, estavam judicializando a política. E agora, de um lado e de outro, a afirmação é de que o Judiciário, notavelmente o Supremo, esteja politizando o Judiciário.

 

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