Nellie Solitrenick
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Enfim, uma quarta letra para a DPZ

Maurice Lévy, presidente mundial do Publicis Groupe, anuncia a fusão entre DPZ e Taterka

CÁTIA LUZ, O Estado de S.Paulo

21 Maio 2015 | 02h04

Fundada em 1968 por Roberto Duailibi, Francesc Petit e José Zaragoza, a agência DPZ tornou-se um ícone da publicidade brasileira. Além das campanhas que criou - o baixinho da Kaiser, o garoto-propaganda da Bombril ou o frango da Sadia -, a agência também se destacou por formar profissionais que, mais tarde, se tornaram referência no setor, como Washington Olivetto, atualmente chairman e líder criativo da WMcCann, Marcello Serpa, sócio-presidente da AlmappBBDO, e Nizan Guanaes, que comanda o Grupo ABC.

Nesses quase 50 anos de história, não foram poucas as vezes em que se ensaiou a incorporação de uma quarta letra à marca. Na década de 80, o "W" de Washington Olivetto chegou a ser cogitado. Depois, diversos conglomerados globais, entre eles o DDB, do Ominicom, também tentaram se aproximar do trio. Em 2011, quando o Publicis Groupe conseguiu arrematar 70% da DPZ, a holding francesa tentou uni-la a outras marcas do seu portfólio. Mas só ontem as emblemáticas letras da agência brasileira ganharam companhia.

Em entrevista coletiva em São Paulo, o presidente global do Publicis Groupe anunciou a criação da DPZ&T, fusão da DPZ com a Taterka, sobrenome de Dorian Taterka. "Esse acordo une uma agência icônica à capacidade de produção e ao espírito dinâmico da Taterka", afirmou Lévy. Terceiro maior conglomerado de publicidade do mundo, com receita de 8 bilhões, o grupo francês comprou 100% da DPZ em 2012 e finalizou a compra da Taterka em 2013.

Segundo ranking do Ibope Media, com base no faturamento bruto das agências no ano passado, a DPZ&T nasce como a 12ª maior do País. Entre os clientes estão marcas como McDonald's, Natura, Itaú, Vivo, Azul e Coca-Cola. A empresa terá como presidente Eduardo Simon, ex-sócio da Taterka, e, como executivo de operações, Tonico Pereira, até então principal presidente da DPZ. Serão ao todo 280 funcionários em São Paulo e Rio de Janeiro. "O objetivo da fusão é nos tornar melhores, com estruturas mais robustas e maior capacidade de investimentos", afirmou Simon.

A DPZ&T fará parte da Publicis Worldwide Brasil (PWW), composta também pelas agências AG2 Nurun, Publicis, Salles Chemistri e Talent. Além da PWW, no Brasil, o Publicis Groupe detém ainda as agências Leo Burnett Tailor Made, F/Nazca Saatchi & Saatchi, Neogama/BBH, Andreoli MSL, Espalhe MSL e SapientNitro.

Brasil. Sobre o momento da economia brasileira, Maurice Lévy disse que tem confiança no País. "Com altos e baixos, temos investido no Brasil e continuaremos investindo." A meta do grupo francês é colocar o País entre os cinco maiores mercados da companhia em todo o mundo. Hoje, o Brasil ocupa o oitavo lugar do ranking.

Presente no anúncio, Roberto Duailibi, o D da DPZ, fez questão de lembrar que crise no País não é assunto novo. "Quando fundamos a empresa, a crise era muito maior. Todo mundo passava o tempo, nos poucos telefones que existiam, procurando adiar pagamentos", lembrou. "Mas através do trabalho e da filosofia que criamos, conseguimos sobreviver e nos superar."

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