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Renato Cruz
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Engenharia da vida

A biologia vive uma revolução comparável à que a tecnologia da informação passou nas últimas décadas. O que vem desencadeando isso é o encontro da linguagem binária dos computadores com as quatro bases que formam o material genético. Robôs nanométricos que combatem câncer, impressão de órgãos humanos e programação de bactérias e de vírus são alguns dos projetos que existem em laboratório e podem causar grande impacto quando forem aplicados em escala comercial.

Renato Cruz, O Estado de S.Paulo

19 de outubro de 2014 | 03h04

É claro que é preciso ter muito mais cuidado com os impactos de novas tecnologias em um setor como a biologia, quando comparada com a informática. A saúde das pessoas não suporta a ideia de beta permanente, de produtos e serviços que nunca estão em sua forma final, tão comum no mundo da internet. Cada vez mais, porém, as empresas iniciantes capazes de mudar o mundo virão daí. Ferramentas e conceitos da tecnologia de informação são adaptados para o desenvolvimento de tecnologias biológicas.

Um exemplo disso é o Project Cyborg, da Autodesk, empresa conhecida principalmente pelo software de projetos Autocad. Desenvolvido pelo braço de pesquisas da empresa, o Project Cyborg serve para desenvolver projetos em nanoescala, o que inclui modelagem e simulação molecular. Enquanto o Autocad é voltado para arquitetos e engenheiros, os usuários do Project Cyborg são biólogos moleculares.

A Organovo criou tecidos humanos funcionais, com tecnologia de bioimpressão tridimensional, que depois são usados em testes laboratoriais. A empresa criou um modelo que reproduz o tecido do fígado humano, para testes de toxidade e eficácia de remédios novos. É uma das poucas aplicações desse tipo de tecnologia que já se encontra em estágio comercial.

O Project Cyborg está em período de teste com cerca de 100 usuários no mundo. Ele roda na nuvem, ou seja, é um serviço acessado via internet. A ideia é abri-lo ao público até o fim do ano, segundo Florencio Mazzoldi, pesquisador sênior de bionano e manipulação de matéria da Autodesk Research, que passou recentemente pelo Brasil.

O pesquisador Shawn Douglas, então pesquisador de Harvard, usou uma técnica chamada de origami de DNA para criar um nanorrobô que combate células cancerígenas. Ele criou uma estrutura de DNA como uma concha, que pode carregar anticorpos ou moléculas de remédio, e se abre somente quando encontra o alvo.

A nanotecnologia manipula materiais com dimensões de 100 nanômetros ou menos. Um nanômetro equivale a um milionésimo de milímetro - um fio de cabelo tem 30 mil nanômetros. Desde a década de 1970, o engenheiro Kim Eric Drexler, pesquisador do MIT, divulga a ideia de nanorrobôs, que finalmente começam a virar realidade.

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