Engenheiro de 24 anos comanda equipe de 450 funcionários

Profissionais com especialização são disputados no mercado e chegam a recusar ofertas de trabalho

, O Estado de S.Paulo

24 de maio de 2010 | 00h00

Há pouco mais de seis anos, Gustavo Fonseca era apenas mais um calouro, cara pintada, que estreava o curso de engenharia civil no Brasil. Naquela época, ainda não se ouvia falar em escassez de mão de obra ou déficits de engenheiros no País.

A escolha do curso, segundo explica Fonseca, foi baseada mais no gosto pelos números do que pelas futuras oportunidades de trabalho. Mas elas vieram, sem muito esforço e cedo.

Atualmente, aos 24 anos, ele é o engenheiro responsável por um dos maiores empreendimentos em construção em São Paulo. Trata-se do Brookfield Faria Lima, que será o edifício comercial com a maior laje da cidade.

Gustavo Fonseca responde a um engenheiro superior, que é responsável por todas as obras da empresa. Mas ele comanda uma equipe de 450 funcionários. Alguns deles com idade para ser seu pai.

"No início foi difícil. Como não me conheciam, achavam que eu não tinha experiência suficiente para fazer o serviço ou delegar alguma tarefa", conta ele, que já não encontra problemas para lidar com a equipe ? no pico da obra, serão cerca de 850 funcionários.

Fonseca foi um dos estagiários treinados pela Brookfield, que busca nas faculdades seus futuros profissionais.

"Conseguimos 98% de retenção dos estagiários na empresa", comenta a superintendente de Recursos Humanos da Brookfield, Lygia Villar.

Para alguns especialistas, no entanto, o caso de Fonseca é o reflexo mais fiel do apagão de engenheiros no Brasil. "Está havendo uma aceleração da carreira. Às vezes, você promove a pessoa sem que ela tenha maturidade ou experiência suficiente para o cargo", avalia o diretor da Ford, Rogelio Goldfarb.

Recusa de serviço. Outro exemplo da falta de mão de obra qualificada no Brasil é a consultora de software de gestão empresarial, Marcia Silva Vieira. Só neste ano, ela já recebeu três propostas de emprego para trabalhar com carteira assinada (hoje ela presta serviços como pessoa jurídica), mas recusou todas. Além disso, tem sido obrigada a rejeitar trabalhos extras por falta de tempo.

"Estou com os próximos fins de semana tomados. Tentei atender ao máximo de pedidos possíveis, mas tive de recusar alguns serviços. Quem diria", destaca a consultora.

Uma das explicações, na sua opinião, é que as empresas seguraram muitos projetos durante a crise entre 2008 e 2009. "Agora, com a melhora da situação econômica do País, elas resolveram desengavetar os projetos."

Marcia desenvolve e implementa um sistema integrado para produção e manufatura das empresas.

No Brasil, a formação de profissionais para fazer esse tipo de trabalho tem sido menor que a demanda. Quem conhece bem o protocolo fica numa posição privilegiada, podendo impor suas condições./ R.P.

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