Engenheiro está no topo do ranking

Já professor e filósofo estão na rabeira de salários

Fernando Dantas, O Estado de S. Paulo

30 de setembro de 2012 | 03h07

RIO - Rodrigo Barcelos, engenheiro civil, 31 anos, trabalha na Planave, empresa de engenharia consultiva no Rio. Hoje, como coordenador de projetos, ele tem uma remuneração mensal em torno de R$ 11,5 mil.

Rodrigo escolheu, na verdade, a profissão de formação universitária que atualmente está em terceiro lugar no ranking de rendimentos (entre mais de quarenta graduações) que faz parte do detalhado estudo sobre o mercado profissional no Brasil, com base nos Censos de 2000 e 2010, realizado pelo economista Naercio Menezes Filho, do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper).

Segundo a pesquisa, encomendada pela BRAiN, uma associação de bancos, BM&F, Federação dos Bancos Brasileiros (Febraban) e outras entidades, um engenheiro civil ganhava em média em 2010 um salário mensal de R$ 4.855.

"Quando comecei a estudar engenharia, em 1998, não parecia uma profissão de futuro, e eu decidi por essa carreira porque gosto, mas tive sorte e, quando me formei, em 2003, o mercado estava começando a deslanchar", diz Rodrigo, que tem pós-graduação em automação industrial, e faz outra pós em gestão de projetos.

A sua situação contrasta com a de Renan Pedroso Pantaleão Morais, professor carioca de História de 28 anos, que faz horas extras para chegar a um rendimento mensal de R$ 2.000. "Eu gosto de dar aula, mas é péssimo que o professor seja uma das categorias mais desvalorizadas no Brasil há anos", ele critica.

Segundo a pesquisa do Insper, professores e pedagogos tiveram um salário médio de R$ 2.390 em 2010, a segunda menor remuneração, só perdendo para os filósofos.

André Martins, 45 anos, professor associado de Filosofia da UFRJ, que dá aula na graduação, mestrado e doutorado e coordena o intercâmbio com a França, diz que 30% dos estudantes da área são pessoas mais velhas, com outros diplomas. "São pessoas que, por uma insatisfação existencial, buscaram fazer filosofia sem se preocupar com a inserção no mercado de trabalho."

Os outros 70% fazem Filosofia, segundo Martins, também por demanda interna e a inserção financeira não é a preocupação principal. "O curso de Filosofia tem como atrativo inclusive repensar os valores da nossa sociedade contemporânea competitiva, e vai na contracorrente da lógica do mercado", ele diz. Mas a volta da Filosofia ao Ensino Médio, para Martins, vai ajudar em termos de opções de trabalho.

Já a atuária Rafaela Dias, que está numa área no topo do ranking de remuneração de profissões (o rendimento médio mensal dos profissionais da área em 2010 foi de R$ 4.723), comenta que um dos motivos que a levou a escolher a profissão foi "o reduzido quadro de profissionais da área no Brasil inteiro".

A aposta da Rafaela, que trabalha hoje na Superintendência de Seguros Privados (Susep), no Rio, não foi apenas dela: o número de atuários no mercado aumentou seis vezes entre 2000 e 2010, o que fez com que o salário médio recuasse 11,5% entre 2000 e 2010.

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