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Engevix tenta vender PCHs para honrar dívidas

Uma das investigadas na operação Lava Jato, companhia está com dificuldade para levantar dinheiro no mercado financeiro

CYNTHIA DECLOEDT , LUCIANA COLLET , ANDRE MAGNABOSCO , O Estado de S.Paulo

17 Dezembro 2014 | 02h05

A Jackson Empreendimentos, holding do grupo Engevix, está negociando a venda de pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) e eventualmente de sua participação na Desenvix Energias Renováveis para levantar o capital que não está conseguindo obter no mercado bancário, por causa da investigação da companhia pela Operação Lava Jato.

De acordo com fontes ouvidas pelo Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, o fluxo de caixa do grupo estaria sendo afetado também pela falta de pagamento de contratos firmados pelo braço naval e de infraestrutura, a Ecovix, com a Sete Brasil, empresa criada em 2010 para gerir o portfólio de ativos com investimentos em petróleo e gás.

Por meio da Ecovix (Engevix Construções Oceânicas), o Grupo Engevix detém contratos da ordem de US$ 5,9 bilhões para construção de oito plataformas FPSO (unidades flutuantes de produção e armazenamento) e três navios-sonda, que se destinarão à produção e estocagem de petróleo na exploração da camada do pré-sal, segundo o demonstrativo do terceiro trimestre da Desenvix.

A Ecovix executa as obras dos navios-sonda no complexo portuário do Rio Grande, empreendimento que também possui como sócia a Funcef (fundo de pensão da Caixa Econômica Federal). A Jackson tem 70% de participação na Ecovix e um consórcio liderado pelo Mitsubishi, 30%.

No balanço do terceiro trimestre da Sete Brasil, a Ecovix aparece como fornecedora das três companhias controladas da Sete Brasil responsáveis pelo gerenciamento e construção das sondas, com as quais firmou contratos de US$ 2,33 bilhões. Até 30 de setembro, a Ecovix havia recebido US$ 767,7 milhões, conforme consta no demonstrativo da Sete Brasil.

No documento, os auditores enfatizam que a Sete Brasil apresentou excesso de passivos sobre ativos circulantes no período encerrado em 30 de setembro de 2014 no montante de R$ 10,9 bilhões. "Essa situação indica a existência de uma incerteza material que pode suscitar dúvidas significativas sobre a continuidade operacional da companhia", afirmam os auditores da PwC.

No balanço, a companhia explica que já estava em negociações com diversas instituições financeiras para captar recursos para fazer frente às obrigações de curto prazo relacionadas a dívidas com estaleiros e financiamentos.

A Engevix, assim como outras empresas citadas na Lava Jato, trabalha na venda de ativos para honrar compromissos com instituições financeiras. As fontes dizem que a companhia teria considerado também a venda de sua participação na Inframérica Concessionária do Aeroporto de Brasília, mas por ora estaria focada nas PCHs.

Participação. Além de analisar a venda de ativos que atualmente compõem o portfólio da Desenvix, a Engevix poderia explorar a venda de sua participação de 40,65% na controlada , conforme disseram fontes próximas à empresa. Embora o mercado de geração de energia renovável esteja em crescimento no Brasil, o momento poderia ser inapropriado. "Haveria dificuldade em vender (ativos ou a empresa) porque há muitos ativos à venda no Brasil", afirmou o executivo. Os demais sócios da Desenvix são a Funcef, com 40,65%, e a norueguesa SN Power do Brasil, com 18,70%.

Atualmente, a Desenvix possui cinco PCHs em operação: Esmeralda e Moinho, no Rio Grande do Sul; Santa Laura e Passos Maia, em Santa Catarina, e Santa Rosa II, no Rio de Janeiro. Juntas elas totalizam 93,4 MW de potência instalada. Além disso, a companhia informa, em seu site, que possui outras nove PCHs em fase avançada de desenvolvimento, que somam 173,7 MW de potência, com disponibilidade para iniciar a implantação em um horizonte de seis meses a três anos.

Ativos. Além das PCHs, a Desenvix também possui ativos de geração de energia eólica (128 MW), outras hidrelétricas de maior porte (somando 95 MW), uma termelétrica a biomassa (33 MW) e uma empresa de serviços de operação e manutenção de usinas e sistemas elétricos, a Enex. Detém, ainda, 25,5% em duas linhas de transmissão com 511 km de extensão.

Em recente entrevista ao Broadcast, o presidente da Desenvix, Robert Coas, havia sinalizado com a possibilidade de se desfazer dos ativos de transmissão, mesmo os classificados como bons geradores de caixa, caso surgisse uma "boa oportunidade".

Procuradas, a Engevix não quis comentar o assunto e a Sete Brasil não respondeu os pedidos de entrevista. A PricewaterhouseCoopers disse, por meio de sua assessoria de imprensa, que "conforme as cláusulas de confidencialidade de nossos contratos, e às próprias normas profissionais aplicáveis, estamos impedidos de dar qualquer informação a respeito de clientes de nossa organização".

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