Engevix vende Desenvix por R$ 500 mi

Companhia, investigada na Lava Jato, repassou sua fatia de pouco mais de um terço na empresa de energias renováveis à sócia Statkraft

RENÉE PEREIRA, O Estado de S.Paulo

14 Fevereiro 2015 | 02h02

A Jackson Empreendimentos, dona da Engevix, anunciou ontem a venda de 36,85% de sua participação na Desenvix Energias Renováveis para a norueguesa Statkraft Investimentos. A companhia, que já detinha 44,45% do capital social da Desenvix, agora passa a ter uma participação de 81,3%. A Jackson sai da empresa elétrica, numa negociação que vai render ao grupo cerca de R$ 500 milhões.

A Engevix é uma das empresas envolvidas na Operação Lava Jato, da Polícia Federal (PF), que investiga corrupção em contratos da Petrobrás. Um dos sócios da companhia, Gerson de Mello Almada, continua preso na PF, em Curitiba, acusado de participar do esquema. Desde que a operação foi deflagrada, as empresas envolvidas estão sem crédito na praça para honrar compromissos.

Com a venda da Desenvix, que tem 350 MW instalados e outros projetos em desenvolvimento, o grupo ganha fôlego para pagar dívidas e investir em projetos em andamento, afirma o sócio da Engevix, José Antunes Sobrinho. Entre os empreendimentos que precisam de recursos para avançar estão a Hidrelétrica São Roque, em Santa Catarina, e que exigirá R$ 700 milhões. Outro destino do dinheiro da venda da Desenvix são os aeroportos do grupo: Brasília e São Gonçalo do Amarante, no Rio Grande do Norte.

"Em princípio, resolvemos nossa vida. O estaleiro (no Porto de Rio Grande) é um negócio a parte", afirma Sobrinho. Ele conta que as negociações de venda da Desenvix começaram bem antes da Lava Jato. "Em outubro, o negócio já estava fechado e íamos assinar o contrato em dezembro. Mas aí a Lava Jato atrasou toda a negociação."

O executivo, que era presidente do conselho de administração da Desenvix, conta que a empresa ainda não tinha grande participação nos resultados e nos dividendos do grupo, mas os contratos eram muito bons e estavam começando a amadurecer. "A empresa seria uma boa geradora de caixa." Na negociação, o grupo conseguiu deixar de fora dois ativos: um parque eólico em Sergipe e uma usina de biomassa em São Paulo.

Segundo o comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a conclusão do negócios está sujeita à aprovação pela Funcef - fundo de pensão dos funcionários da Caixa -, que detém 18,7% do capital social da empresa. Também depende de aprovações da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e dos credores da Desenvix.

Resposta. Na entrevista concedida ontem, após o anúncio da venda da Desenvix, Sobrinho também falou das declarações do presidente do grupo Corporación América, Eduardo Eurnekian, sócio nos dois aeroportos no Brasil. Em entrevista ao jornal argentino Clarín, em português, o executivo afirmou que procura um novo sócio para substituir a Engevix.

"Eu sou o controlador. Então eles é que teriam de vender a participação deles", retrucou Sobrinho. Segundo ele, quando a Corporación America chegou ao Brasil quem teve de melhorar a reputação da empresa foi a Engevix. "Fui eu que coloquei eles aqui. E fui eu que consegui mantê-los aqui quando o governo pediu para retirá-los do consórcio. Consegui segurá-los apesar da pressão."

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