Stephane Mahe/Reuters
Stephane Mahe/Reuters

Engie vai deixar de operar termoelétrica a carvão em Santa Catarina

Empresa diz que decisão faz parte do seu processo de 'descarbonização' do portfólio; futuro da usina Jorge Lacerda, em Capivari de Baixo, ainda está sendo estudado

Amanda Ludwig, Especial para o Estadão, O Estado de S.Paulo

16 de dezembro de 2020 | 13h00

CRICIÚMA - A empresa de energia Engie Brasil  vai deixar de operar o Complexo Termoelétrico Jorge Lacerda (CTJL), localizado em Capivari de Baixo, Santa Catarina, movido a carvão. A medida, de acordo com a empresa, dá continuidade ao processo que chamou de “descarbonizar o portfólio e equacionar os possíveis impactos ambientais e sociais da região”.  

“O ambiente extremamente desafiador vivenciado em 2020, marcado pelo cenário pandêmico, trouxe importantes reflexões e aprendizados a todos. A Engie se colocou de forma bastante cooperativa neste grande projeto coletivo, que foi o combate aos efeitos diretos e indiretos da pandemia, o que nos mostrou um caminho importante a seguir na coordenação de esforços coletivos em outras frentes, como as mudanças climáticas e a preservação de ecossistemas e da biodiversidade”, disse o diretor-presidente e de Relações com Investidores da Companhia, Eduardo Sattamini.

A empresa cogita três alternativas de solução para o complexo termoelétrico, que tem capacidade de geração de 857 MW: a venda, desde que exista um equilíbrio entre os riscos e as condições financeiras apresentadas; uma solução envolvendo o poder Federal como, por exemplo, a devolução para a União, a venda para Eletrobrás ou suporte do governo federal na viabilização da venda; ou manter o controle do ativo e estudar o seu desligamento em fases, buscando utilizar os recursos da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) para amenizar os efeitos socioambientais.

Segundo a empresa, as alternativas são estudadas de forma paralela e não há nenhuma decisão definitiva sobre o rumo a ser tomado nos próximos meses. Além da perspectiva de alienação dos ativos do Complexo Jorge Lacerda (SC), existe ainda a possibilidade da descontinuidade dos serviços na Usina Termelétrica Pampa Sul (RS), também movida a carvão.   

Decisão traz novo desafio econômico para a região Sul de Santa Catarina

A decisão da Engie, no entanto, deixa um desafio econômico para a região sul de Santa Catarina, onde a usina Jorge Lacerda está instalada. A medida deve afetar toda a cadeia de produção de carvão, com riscos para 21 mil empregos diretos e indiretos e possibilidade de queda de R$ 6 bilhões ao ano na economia regional.

O presidente da Associação Brasileira de Carvão Mineral (ABCM), Fernando Luiz Zancan, explica que a paralisação dos trabalhos no complexo pode gerar uma reação em cadeia. Segundo ele, o setor de carvão envolve diversos serviços, como a mineração, o transporte via ferrovia - que tem no carvão 96% de sua carga -, a cadeia de suprimentos e até a produção de cimento da Votorantim, que possui uma fábrica no sul catarinense e utiliza cinzas que sobram do processo carbonífero.

“A partir do momento em que se fecha Lacerda, não tem para onde vender a produção. As minas não terão para quem produzir, a ferrovia vai parar, e o cimento vai aumentar o preço. Serão R$ 6 bilhões que deixarão de ser injetados na economia da região ao ano", avalia o presidente da ABCM.

Por conta disso, a indústria carbonífera trabalha para que a desativação não aconteça. Os envolvidos no setor do carvão mineral catarinense esperam que a opção seja pela venda do complexo a outra empresa. 

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