Cleusa Duarte/ESTADÃO
Cleusa Duarte/ESTADÃO

Enquanto casa não sai, casal vive de favor

Apartamento de Rose Mary e Erivaldo foi comprado em 2010, mas ainda não está pronto

Carlos Nealdo, Cleusa Duarte, O Estado de S. Paulo

22 de agosto de 2015 | 16h06

A possibilidade de comprar um imóvel em condições de financiamento mais favoráveis levou a assistente em administração Rose Mary Gomes e seu marido, o assistente social Erivaldo, a decidir pelo programa Minha Casa Minha Vida. Em 2010, o casal de Maceió adquiriu um imóvel na planta, por R$ 115 mil, em valores da época. Parecia um bom negócio: o sinal era de R$ 3,5 mil e outros R$ 19,6 mil teriam de ser pagos até o término das obras. 

O plano do casal era que a entrega do apartamento coincidisse com a chegada do primeiro filho. Até hoje, no entanto, a obra do apartamento não ficou pronta. E a filha do casal, Alice, já está com três anos.

O contrato do imóvel demorou três anos para sair. Foi quando o casal começou a pagar a taxa de obras, de R$ 100. “Pelo contrato, a obra teria prazo de um ano, prorrogável por mais um”, diz Rose Mary. “Os dois anos se cumpriram em março de 2015 e continuamos pagando taxas à Caixa, que neste mês nos custou R$ 571,89.” 

Para piorar a situação, a Caixa Econômica Federal colocou o casal no Serviço de Proteção ao Crédito pelo atraso de dois meses nos pagamentos. A situação dos dois é semelhante à de outros moradores que adquiriram apartamento no mesmo prédio. Para tentar resolver o problema, os mutuários contrataram um advogado para processar o banco. “Enquanto isso, o advogado aconselhou que continuássemos pagando as taxas”, diz Rose Mary.

Segundo ela, a construtora culpa a Caixa pelo atraso, alegando que a instituição não vem repassando os recursos previstos. “Fomos à obra no mês passado e ainda está faltando muita coisa.” A construtora agora promete a entrega em janeiro de 2016. 

A situação só não é pior porque o pai de Erivaldo cedeu uma casa para que eles morassem. “Mas é constrangedor, porque a casa ficaria conosco por dois anos – o tempo de duração da obra –, e lá se vão cinco anos desde a compra do apartamento”, lamenta.

Na fila. Em Salvador, o porteiro Leonardo Silva Ribeiro, 42 anos, casado e pai de dois filhos, espera há cinco anos para ser contemplado em um dos sorteios de residências do Minha Casa Minha Vida. “Na verdade, fiz a inscrição com meus outros 14 irmãos. Nenhum de nós foi contemplado. Todos os dias a gente comenta sobre isso. Minha companheira está ansiosa, pois é a oportunidade de termos o nosso canto.”

Atualmente, ele mora em um terreno da família onde foram construídas outras cinco casas. “Aproveitamos o terreno e fomos construindo ao lado ou em cima das outras casas.” Leonardo acredita que a dificuldade em ser sorteado se refere ao fato de que, com sua renda, ele só pode arcar com a modalidade do programa que exige maior subsídio do governo. Ele diz que, com o salário que recebe, pode pagar uma prestação máxima de R$ 100.

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