Enquanto emergentes negociavam, EUA e UE elevavam subsídios

Europa e Estados Unidos incrementaram seus subsídios agrícolas em 2005 em comparação a 2004, enquanto passavam horas negociando com Brasil e outros países emergentes fórmulas sobre como deveria ser feita a liberalização dos mercados agrícolas. Dados oficiais divulgados nos dois lados do Oceano Atlântico mostram que a Comissão Européia teve um aumento de 11% em seus subsídios no ano passado, enquanto os americanos registraram um crescimento da ajuda aos fazendeiros em quase 100% entre 2003 e 2005. As negociações da Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio(OMC) chegaram a um impasse em julho quando os países não conseguiram chegar a um acordo sobre como seria realizada a liberalização dos mercados agrícolas. Os europeus não aceitavam promover um corte maior de suas tarifas de importação enquanto os Estados Unidos não anunciassem planos de cortes mais profundos de seus subsídios. O resultado foi a interrupção do processo, que deve ser retomado apenas em novembro. Mas dados publicados pelos governos mostram que, enquanto negociavam concessões dos países emergentes, o que Bruxelas e Washington faziam era aumentar o volume de recursos destinados aos produtores. Um informe do Ministério de Comércio do Canadá aponta que os subsídios americanos foram de US$ 19,6 bilhões em 2005, contra US 18,6 bilhões em 2004 e US$ 10,2 bilhões em 2003. Nesse período, a produção agrícola americana passou de US$ 215 bilhões em 2003 para US$ 234 bilhões em 2004 e voltou a cair para US$ 231 bilhões no ano passado.A proposta americana na OMC colocaria um teto nesse aumento de subsídios em US$ 22 bilhões, o que na realidade ainda permitiria que a Casa Branca aumentasse em três bilhões o volume que está distribuindo. Não por acaso, os europeus passaram a fazer duras críticas contra a proposta americana.O problema é que Bruxelas também incrementou seus subsídios nos últimos anos, apesar das prometidas reformas do sistema de distribuição de recursos. Em 2005, dados oficiais da UE apontam que a entidade deu US$ 48,5 bilhões a seus fazendeiros, 11% acima dos níveis de 2004. A França recebeu quase um quinto de todo o dinheiro.

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