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Enquanto EUA não corrigir déficit queda do dólar vai persistir

O dólar vai continuar caindo frente as principais moedas do mundo, enquanto o governo americano não reduzir o seu gigantesco déficit em contas correntes. Esta previsão foi feita pelo economista e ex-presidente do Banco Central, Afonso Celso Pastore, durante entrevista ao programa Espaço Aberto, da "Globo News". "É um país (EUA) que está gastando além dos seus próprios meios. O ajuste fiscal seria a solução mais importante para começar a reversão", afirmou Pastore. Ele observou que essa crise de confiança tem provocado efeitos surpreendentes, como a demanda por ativos em reais no exterior: "Quando o dólar se deprecia em relação a todas as demais (moedas), a diversificação de carteiras de ativos e a tentativa de buscar retorno faz com que aumente a demanda por todos os demais títulos indexados em qualquer moeda, inclusive em reais." Pastore reconheceu que a economia brasileira tem melhorado muito, mas ressalva que a queda do risco país está muito mais relacionada a fatores externos do que propriamente a méritos da política econômica nacional. "Há uma melhora no lado fiscal e nas contas correntes e há uma política de controle da inflação", destacou. "É inegável que em um ano de forte crescimento como este a inflação ficou controlada. Mas, apesar de tudo isso, boa parte do prêmio de risco do Brasil não é provocada por causas domésticas", ponderou o economista. "A depreciação do dólar faz com que, racionalmente, todos os investidores queiram fugir de posições em dólar." Uma forma de segurar uma queda maior da moeda americana, na opinião de Pastore, seria que as principais economia do mundo promovessem uma intervenção coordenada no mercado de câmbio, nos moldes do "Plaza Agreement" feito nos anos 80. Essas intervenções, que teriam de ter a participação de todos os bancos centrais, seriam um paliativo a ser adotado até que sejam feitas as correções na política fiscal e na política monetária americana. "Se houver disposição dos Estados Unidos de ajustar a sua política monetária, eu não tenho dúvida de que uma ação coordenada de intervenção nos mercados pode produzir efeitos que minorariam essa dificuldade", salientou. "Mas minha impressão é de que não há, por parte dos Estados Unidos, determinação de produzir esse tipo de ajuste." O ex-presidente do BC sugere que o Brasil aproveite o excesso de liquidez externa para recompor suas reservas, ainda muito baixas, afim de reduzir a vulnerabilidade diante de uma provável mudança na economia mundial. Segundo ele, essa mudança poderia resultar numa aceleração da alta dos juros americanos, com conseqüências danosas para as economias dos países emergentes. "Mas no momento em que isso acontecer (alta dos juros americanos), que pode demorar muitos meses ou até um ano e meio, o Brasil teria mais reservas internacionais para poder enfrentar um embate numa situação adversa", prosseguiu. "Nós precisamos agora é de alguma acumulação adicional de reservas, que permita ao Brasil dar um passo a mais nessa política de se isolar da vulnerabilidade externa."Ainda durante a entrevista ao Espaço Aberto, Afonso Celso Pastore previu que o crescimento do País em 2005 será menor, ao redor de 3,5%, desde que não haja uma grande reversão na situação de liquidez internacional. Para ele, o aumento dos investimentos está muito associado ao aumento das importações, como, por exemplo, para a aquisição de máquinas adicionadas ao processo produtivo. "O Brasil vai ter que permitir que essa formação bruta de capital fixo (investimentos) cresça. E ela vem crescendo", ponderou o ex-presidente do BC. "Com isso, se sustenta um crescimento do estoque de capital que permite um crescimento do PIB da ordem de 3,5%."

Agencia Estado,

09 de dezembro de 2004 | 04h59

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