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Enquanto isso, no Brasil...

A estabilização do preço do petróleo em torno de US$ 100 o barril viabilizou novas tecnologias de produção, até mesmo a exploração de reservas não convencionais. À medida que o preço do petróleo aumenta, novos métodos de produção se tornam viáveis e novas fronteiras exploratórias são descobertas, aumentando o volume mundial de reservas. São exemplos dessas novas fronteiras as areias betuminosas em Alberta, no Canadá, e o petróleo em águas ultraprofundas, como o pré-sal brasileiro.

ADRIANO PIRES, O Estado de S. Paulo

21 de junho de 2014 | 02h03

Recentemente, o destaque vai para as descobertas e a produção de tight oil nos EUA. O declínio de décadas na produção de petróleo bruto pelo país foi revertido, aumentando 64% - cerca de 3,2 milhões de barris por dia - entre 2008 e março de 2014. O crescimento da produção doméstica levou a um declínio na dependência das importações, reduzindo a dependência líquida dos EUA do petróleo importado de 60% da demanda, em 2005, para menos de 30% no início de 2014. Diante de tamanha pujança, segundo a Agência Internacional de Energia (IEA), os Estados Unidos estão no caminho para recuperar o status de maior produtor de petróleo do mundo. No entanto, essa nova realidade depende de mudanças institucionais, em particular a retirada das barreiras à exportação de óleo cru. Um movimento para a eliminação das severas restrições à exportação de petróleo bruto vem ganhando força nos Estados Unidos. Nesse sentido, o governo Obama vem emitindo sinais de que está considerando rever as leis federais sobre o assunto, o que deve causar grandes mudanças no mercado mundial de petróleo.

Enquanto os EUA se preocupam em garantir a pujança e os benefícios econômicos de suas reservas de petróleo e de gás, no Brasil observa-se o caminho inverso. Apesar do crescimento significativo da produção do pré-sal, a produção total apresentou queda em 2012 e 2013, por conta do decaimento dos campos maduros e da perda de eficiência, principalmente na Bacia de Campos. O Brasil demorou muito tempo para retomar as realizações das rodadas. A produção de petróleo proveniente dos blocos arrematados nos últimos leilões é esperada a partir de três anos e para o caso do Campo de Libra o projeto-piloto de produção será iniciado em 2020. Dessa forma, enquanto outros países já se beneficiam do elevado preço do petróleo, proporcionando o desenvolvimento de novas tecnologias e métodos de exploração, o Brasil terá de aguardar essa produção se concretizar e torcer para que o preço do barril não despenque até lá.

Enquanto isso, no Brasil, a diretora-geral da ANP reiterou que novas rodadas só devem ser realizadas em 2015 e no caso do pré-sal, somente em 2016. Assim, enquanto novas fronteiras são descobertas no mundo, o Brasil parece ter ficado hipnotizado pelo pré-sal, e o único assunto que foi discutido até agora foi a distribuição dos royalties, que ainda nem se materializaram. O País deveria aproveitar a boa cotação atual do petróleo para viabilizar projetos, aumentar a produção, incentivar a entrada de novas empresas e novas tecnologias. Contudo, o que é observado é a falta de uma política de longo prazo para o setor, que estimule a entrada e a criação de novas empresas, expanda as reservas e recursos atuais, desenvolva novas tecnologias e aproveite o potencial específico de cada região. Observando o caso americano percebe-se justamente o contrário. Os EUA têm grande apreço e respeito pelas regras de mercado, que incentivam investimentos e o aumento da produção, enquanto o governo brasileiro opta pelo intervencionismo. No Brasil, o peso da Petrobrás no setor petrolífero, a política de preços de combustíveis, que esvazia o caixa da empresa, e a política de conteúdo local têm levado a uma má performance na curva de produção de petróleo e ao aumento das importações de derivados, apesar do grande potencial de nossas reservas. Enquanto isso, no Brasil continua prevalecendo a política de intervencionismo de curto prazo e a ausência de um planejamento de longo prazo, baseado na previsibilidade e em regras claras.

ADRIANO PIRES É DIRETOR DO CENTRO BRASILEIRO DE INFRAESTRUTURA (CBIE)

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