Enron quer apresentar plano de reorganização em 2003

A Enron Corp. pediu aprovação do Tribunal Federal de Falências dos EUA para estender por mais quatro meses, até 31 de janeiro, o prazo para encaminhar seu plano de reorganização. A empresa alega várias questões não resolvidas.O pedido se segue-se a uma decisão do tribunal, na quinta-feira passada, que prorrogou o período de exclusividade por 90 dias para a Enron North America, como única das unidades do grupo que poderá pedir concordata.Entre os principais problemas pendentes citados pela Enron estava uma análise completa dos ativos e obrigações, que incluiria as demandas das subsidiárias contra a controladora e vice-versa. Outra questão era como dividir as despesas durante o processo de reestruturação.Estima-se que o caso de concordata da Enron, agora já com dez meses, tenha resultado em cerca de US$ 120 milhões em despesas com pagamentos a advogados e outros profissionais. A empresa deve propor um plano de alocação de gastos na segunda-feira.A Enron também tem de concluir sua análise financeira a respeito da questão das consolidações que podem afetar bastante o pagamento de demandas sob a concordata. A companhia e seu comitê de credores têm sido investigados desde junho sobre se os ativos e dívidas das diferentes subsidiárias da Enron deveriam ser consolidados num único conjunto sob concordata.De acordo com alguns especialistas jurídicos, a consolidação substantiva é necessária em casos em que os ativos e as obrigações das entidades estão tão emaranhados que a consolidação resultaria em benefícios para todos os credores. O principal advogado da Enron no processo, Martin Bienenstock, destacou que novas descobertas do investigador do tribunal poderiam afetar "as prioridades de bilhões de dólares em demandas" de certas entidades contra a companhia.A questão é importante porque quem recebe o pagamento primeiro constitui um aspecto fundamental do plano de concordata. Em seu primeiro relatório, o investigador, Neal Batson, revelou detalhes novos sobre como a Enron, com a ajuda de seus contadores e banqueiros, estruturou um labirinto de veículos financeiros complexos que serviu para remover dívidas de seus balanços e aumentar artificialmente o fluxo de caixa da companhia.

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