finanças

E-Investidor: "Você não pode ser refém do seu salário, emprego ou empresa", diz Carol Paiffer

Ensino superior privado ainda é pulverizado

Oito maiores empresas do setor somam cerca de 30% dos alunos de redes particulares; tendência é de aquisições

Dayanne Sousa, O Estado de S.Paulo

20 de setembro de 2013 | 02h08

As duas maiores companhias de educação do Brasil, Kroton e Anhanguera, têm juntas cerca de 14% do total dos alunos de instituições privadas do País. As duas anunciaram um acordo de fusão em abril, que dará origem a maior empresa de ensino do mundo. Levantamento feito pelo Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, com dados do Censo da Educação Superior mostra que, apesar do forte movimento de consolidação do setor, o mercado ainda é bastante fragmentado.

Considerando o número de alunos das companhias abertas Kroton, Anhanguera e Estácio, além de companhias fechadas de grande porte como Laureate Brasil, Unip, Ser Educacional, Anima Educação e Cruzeiro do Sul, as principais empresas detêm cerca de 30% do mercado de ensino privado.

Para a comparação foram usados dados do número de estudantes de graduação das empresas ao final de 2012, informações que serviram como base do Censo recém-divulgado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). A comparação com os números do ano anterior mostra que a participação de mercado das principais companhias cresceu. Kroton e Anhanguera somadas tinham uma fatia de 11% em 2011.

A fusão de Kroton e Anhanguera ainda depende da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Na época do anúncio do acordo entre as companhias, o presidente da Kroton, Rodrigo Galindo, destacou que dados sobre o market share de ambas dependiam do Censo, mas avaliou que considerava o mercado pouco concentrado.

Ensino à distância. O segmento de ensino à distância (EAD) é o que apresenta a menor fragmentação. Considerando apenas os alunos deste ramo, Kroton e Anhanguera somadas alcançam aproximadamente 34% do mercado segundo os números de 2012. A principal concorrente, a Estácio, tem uma fatia próxima de 5%.

Neste segmento, Kroton e Anhanguera ganharam mais espaço de um ano para outro. As duas juntas tinham um market share de aproximadamente 27% em 2011. O ganho no período é explicado, sobretudo, pela aquisição da Uniasselvi pela Kroton em maio do ano passado. A companhia tinha mais de 70 mil alunos só no EAD, um número que passou a contar na base da Kroton.

Para uma fonte do mercado, mesmo a maior concentração no EAD não seria uma barreira para a aprovação da megafusão pelo Cade. Segundo analistas, o órgão antitruste tende a considerar a fatia de mercado das empresas em cada região e não o total do mercado brasileiro.

De acordo com a fonte, um estudo das empresas mostra que apenas 3% das unidades (campi presenciais e polos de ensino à distância) de Kroton e Anhanguera estão localizadas em regiões onde há concentração relevante do mercado de ensino privado. "Se houver qualquer imposição por parte do Cade, seria a necessidade de venda de alguns desses ativos", completa.

Kroton e Anhanguera foram procuradas para comentar o tema, mas informaram que no momento não se pronunciam sobre as operações conjuntas.

Oportunidades. Apesar da recente onda de consolidação vivenciada pelo setor de ensino superior privado, o líder da área de educação da consultoria PwC, Alexandre Pierantoni, entende que ainda são amplas as possibilidades para fusões e aquisições no setor. "Continua a existir um potencial bastante grande e ainda há ativos interessantes para serem alvo de aquisições", disse.

"O mercado de ensino superior privado é ainda muito pulverizado, uma grande parte das instituições tem menos de 1 mil alunos", pondera Pierantoni.

A percepção de executivos e analistas do setor é ainda de que o mercado de ensino a distância tende a ser mais concorrido daqui para a frente. A Estácio anunciou há menos de uma semana a aquisição da Uniseb, uma instituição com 30 mil alunos só na graduação a distância. Se a aquisição já tivesse finalizada em 2012, a participação de mercado da Estácio no segmento naquele ano subiria para 8%.

Recentemente, companhias que ainda não atuam em graduação a distância reforçaram seu interesse de ingressar no mercado e aguardam aprovação do Ministério da Educação (MEC) para iniciar atividades. É o caso da FMU, recém-adquirida pela Laureate, além de Anima Educação e Ser Educacional.

Para os analistas do HSBC Luciano Campos e Caio Moscardini, o MEC tende a agilizar processos para ampliar a concorrência no segmento. "Acreditamos que a fusão entre Anhanguera e Kroton possa levar o Cade a pressionar o Ministério da Educação a abrir o segmento de ensino a distância", comentaram, em relatório.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.