Ensino técnico profissionalizante aposta nos cursos de curta duração

Maioria das vagas de emprego abertas na indústria, comércio, serviços e setor rural exige formação rápida

Daniela Rocha, especial para O Estado de S. Paulo,

20 de novembro de 2013 | 17h31

SÃO PAULO - No Brasil, os setores industrial, de comércio, de serviços e de agronegócios enfrentam sérios problemas de falta de mão de obra qualificada. No entanto, a maioria das vagas de emprego abertas exige bagagens de conhecimento que podem ser adquiridas rapidamente e sem custos para os estudantes.

Nos últimos anos, a oferta de cursos profissionais tem aumentado no País. O Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e ao Emprego (Pronatec) do governo federal, instituído em 2011, está adicionando vagas gratuitas tanto nos cursos de formação inicial e continuada quanto no ensino técnico de nível médio. "Se antes havia reclamações sobre a falta de disponibilidade, hoje, esse não é o problema", enfatiza Márcio Guerra, gerente de Estudos e Prospectiva do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai).

Atualmente, o grande desafio é atrair os jovens. De acordo com especialistas, é preciso quebrar o paradigma do modelo educacional brasileiro ainda muito focado em levar os alunos às universidades, o que causa distorções. Dos 24 milhões de jovens brasileiros entre 18 e 24 anos, menos de 15% chegam às universidades, segundo o Censo de Educação Superior do Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais (Inep). Isso significa que apenas 3,4 milhões partem para a graduação e 20 milhões precisam buscar outros caminhos.

O problema maior é que 8,7 milhões de jovens não trabalham nem estudam. No País, a taxa de desemprego entre os jovens supera 12%, muito maior do que a média do mercado (5,4%). "Buscamos atrair esses jovens ao ensino profissional. Eles são a chave para esse processo e, hoje, correm o risco de caírem na criminalidade ou se perderem", ressalta Guerra.

"É preciso que os jovens percebam o leque de oportunidades e empregabilidade que os cursos técnicos proporcionam no País" , acrescenta Anna Beatriz Waehneldt, diretora de Educação Profissional do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac Nacional).

Caminho curto ao emprego. No setor industrial, a maior demanda é por profissionais que tenham passado por cursos de qualificação de 160 a 400 horas. A maioria dos cursos oferecidos pelo Senai tem curta duração. Apenas 15% são cursos técnicos com um ano e meio de duração ou cerca de 600 horas. "A educação profissional é o caminho mais curto para ingressar no mercado de trabalho. Possibilita a entrada, a obtenção de renda, para que futuramente, se pense em uma trajetória de formação que caminhe ao ensino superior", comenta Guerra. Segundo ele, o salário médio de um técnico na indústria é de R$ 2,7 mil, acima da média de R$ 2,1 mil dos setores não industriais.

O número de vagas do Senai avança em ritmo acelerado. Passaram de 2 milhões em 2011para 3,5 milhões este ano. A maioria delas é gratuita. O Senai é responsável por 50% das matrículas no Pronatec. A meta da entidade para 2014 é chegar a 4 milhões de vagas.

Comércio. No Senac, do universo de 2,2 milhões de vagas este ano, quase 70% são dos cursos de formação inicial e continuada (curta duração). Para os cursos técnicos de nível médio, foram oferecidas 216 mil vagas. O restante é relativo ao ensino superior e aos cursos de aprendizagem voltado aos alunos com contrato de trabalho especial fazendo curso no Senac.

Do total de cursos de formação inicial continuada e cursos técnicos de nível médio, 50% são de vagas dentro do Programa Senac de Gratuidade (PSG) e do Pronatec. Em 2013, 550 mil vagas foram pactuadas para atendimento ao Pronatec. Para o próximo ano, serão 800 mil. Segundo a diretora de Educação Profissional do Senac, com o advento do Pronatec, o quadro de estudantes é bastante heterogêneo. "Mas notamos que 40% das matrículas está na faixa de 18 a 24 anos, com predominância de mulheres", comenta.

Segundo Anna Beatriz , os setores de comércio, serviços e turismo vão precisar cada vez mais de mão de obra qualificada impulsionados pelos grandes eventos esportivos no Brasil em 2014 e 2016.

 

 

No campo. O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) também se concentra nos cursos de curta duração. O objetivo é capacitar em 40 a 80 horas, ou seja, com rapidez, grande contingente para o mercado de trabalho. A maior demanda é nas áreas de Operação e Manutenção de Máquinas Agrícolas, Ordenha Higiênica de Leite e Inseminação de Animais na Pecuária. "Essa demanda vai permanecer nessas áreas por muito tempo. As pessoas que fazem o curso de ordenha higiênica, por exemplo, têm alta empregabilidade", afirma Daniel Carrara, secretário executivo do Senar. O Senar oferece 170 modalidades totalmente gratuitas e forma um milhão de pessoas por ano.

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