Ricardo Moraes/Reuters
Ricardo Moraes/Reuters

Entenda a alta do dólar

Após se aproximar de R$ 3,97 ao longo do dia, moeda americana fechou o dia cotada a R$ 3,91; valorização é de 18,07% em 2018

O Estado de S.Paulo

07 Junho 2018 | 18h52

O dólar teve mais um dia de valorização frente ao real nesta quinta-feira, 7, e fechou cotado a R$ 3,91, com alta de 2%. O valor é o maior desde 1º de março de 2016. Na máxima do dia, a moeda americana encostou em R$ 3,97, dando sinais de que o patamar de R$ 4 pode estar próximo.

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Leia abaixo os motivos para essa valorização do dólar, que em um mês acumula alta de 10,20% e, em 2018, já alcança 18,07%.

Por que o dólar tem se valorizado tanto?

Segundo especialistas, são vários fatores. O primeiro é o cenário externo. Há no mercado uma expectativa de que os juros americanos subirão mais do que o esperado. Com isso, há uma maior procura por títulos de dívida norte-americanos, que são considerados os  mais seguros do mundo. Isso aumenta a demanda pela moeda americana e quando cresce a demanda, sobe o preço.

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E quanto ao Brasil?

No cenário local os investidores temem o cenário ainda imprevisível para as eleições. Os candidatos da centro-direita, favoráveis a propostas reformistas e de ajuste das contas públicas brasileiras têm apresentado desempenho ruim nas pesquisas eleitorais.

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A greve dos caminhoneiros influencia o dólar?

Sim, indiretamente. Sem espaço para aumentar impostos e arcar com os R$ 13,5 bilhões da isenção prometida para o PIS/Confins e a Cide no preço do diesel, o governo cortou incentivos para setores da indústria. O mercado desconfia de que o pacote de medidas vá interferir ainda mais nas contas públicas.

Quanto tempo vai durar a alta do dólar?

De acordo com o Relatório de Mercado Focus, a previsão do valor do dólar no final do ano é de R$ 3,50. Há quatro semanas, a previsão era de R$ 3,37. Com a dinâmica da moeda nos últimos dias, instituições passaram a reavaliar esses valores. O grupo financeiro japonês Nomura elevou as projeções para o dólar no Brasil e vê chance de a moeda bater em R$ 4,15 ao final do terceiro trimestre, ou seja, pouco antes das eleições presidenciais de outubro. Anteriormente, a estimativa era que a moeda norte-americana iria chegar em R$ 3,60 nesse período, de acordo com relatório divulgado nesta quinta-feira.

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Quem ganha e quem perde com a cotação mais alta?

A oscilação do câmbio afeta diretamente as empresas que atuam no mercado internacional. Como têm receita em moeda estrangeira, as empresas exportadoras são beneficiadas pela valorização do dólar frente ao real. Por sua vez, empresas importadoras têm custos mais altos quando a moeda estrangeira se valoriza.

Além disso, a variação cambial afeta diretamente empresas que possuem dívidas em divisas estrangeiras. Isso porque, mesmo sem fazer novos empréstimos, a empresa precisaria desembolsar mais reais para arcar com sua dívida. O fator pode gerar ainda mais preocupação, pois, de acordo com matéria publicada no Estadão em maio, o Banco Central estima que 46,9% das empresas com dívida em dólar não possuem proteção à variação do câmbio.

Quais as consequências para a economia brasileira de maneira geral?

Há uma discussão, entre analistas do mercado financeiro, se o Banco Central deve aumentar a taxa de juros na próxima reunião, em 20 de junho. Em entrevista ao Estadão/Broadcast, o ex-presidente do Banco Central, Alexandre Schwartsman, considerou a possibilidade como uma 'insanidade'.

Recorrendo ou não a elevação da taxa de juros, o mercado passou a pedir uma ação mais contundente da autoridade monetária brasileira para conter a valorização do dólar. O economista-chefe da Garde Asset Management, Daniel Weeks, cobrou que o presidente do BC, Ilan Goldfajn, apresente alguma comunicação o mais rápido possível. "Estamos no terceiro dia com o mercado disfuncional e o Ilan não aparece para dar uma entrevista. É um silêncio ensurdecedor", disse.

Na opinião dele, a melhor forma de o BC lidar com a situação seria anunciando um programa para atuar no câmbio até o fim do ano. "Se o BC não age no câmbio, terá de fazer um choque de juros, como fizeram Turquia e Argentina. Mas é insanidade colocar o Brasil no mesmo grupo desses dois países que têm contas externas horrorosas. É insanidade tomar ataque especulativo na moeda sem ter déficit em conta corrente e com R$ 380 bilhões de reservas", disse./ ALTAMIRO SILVA JÚNIOR, ANDRÉ ÍTALO ROCHA, FERNANDO NAKAGAWA

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