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Gil do Vigor tem o perfil conservador na hora de investir TV Globo

Entenda a carteira de investimento de Gil do Vigor

Renda fixa é um tipo de investimento em que a taxa de rentabilidade é pré-fixada, ou seja, é previsível desde a aplicação; é um investimento muito procurado por quem está começando.

Redação, O Estado de S.Paulo

09 de agosto de 2021 | 05h00

BRASÍLIA - Os investimentos em renda fixa são alguns dos mais populares entre os investidores porque costumam ser mais seguros e previsíveis.

Como o nome indica, a renda fixa é um tipo de investimento em que a taxa de rentabilidade é pré-fixada, ou seja, é previsível desde a aplicação. Desta forma, é um investimento muito procurado por quem está começando.

Com a previsibilidade, é mais fácil se planejar. Por exemplo, se o objetivo for comprar uma casa, você pode investir durante mais tempo e se planejar para alcançar essa meta em alguns anos. Quem está ainda mais preparado pode diversificar em uma série de investimentos com objetivos variados, desde o resgate imediato até a aposentadoria.

Existem diversos tipos de títulos de renda fixa. Alguns foram citados pelo Gil do Vigor. Entenda:

CDB: Certificado de Depósito Bancário, título emitido por bancos autorizados pelo Banco Central para captar recursos de modo a financiar suas operações. Na prática, é um “empréstimo” que o investidor faz à instituição financeira, recebendo como retorno o montante inicial mais os juros.

Tesouro Direto: é um título emitido pelo governo. Assim como todos os outros, tem o objetivo de financiar atividades, neste caso, gastos com políticas públicas ou até mesmo pagamento de suas dívidas anteriores. Normalmente, esse título pode ser atrelado à taxa Selic, à inflação ou ser pré-fixado. É possível, inclusive, fazer investimento sem ter o banco como intermediário, pelo site: https://www.tesourodireto.com.br

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'Não lutei para ganhar e depois perder', diz Gil do Vigor, que, 'rico', aplica em renda fixa

No perfil de investidor do economista, resultado deu 'conservadoríssimo'

Idiana Tomazelli e Adriana Fernandes, O Estado de S.Paulo

09 de agosto de 2021 | 05h00

BRASÍLIA - Se antes de participar do Big Brother Brasil 2021 o economista Gilberto Nogueira vivia "lascado", o agora célebre Gil do Vigor deixou essa realidade para trás. Rico, como ele mesmo se define, já começou a aplicar o dinheiro que ganha com publicidade e trabalhos como influenciador em investimentos na renda fixa, mais conservadores. "Eu não lutei para ganhar e depois perder", diz. Em entrevista ao Estadão/Broadcast, Gil também fala sobre como poderá ser uma voz de conscientização nas eleições de 2022 e a importância de discutir a distribuição eficiente de recursos públicos.

Confira os principais trechos:

Não podemos deixar de começar esta conversa sem recorrer ao seu bordão mais famoso durante o BBB. O Brasil está lascado na economia?

Sim, o Brasil está lascado. As consequências da segunda onda pandemia sobre a economia, o desemprego, a inflação... Fica difícil conseguir imaginar como vai ser a saída. Tem (saída)? Tem. Temos pessoas extremamente qualificadas no Brasil, pesquisadores, profissionais de economia, mas tudo isso passa por uma gestão política que precisa mudar, se não a gente não vai conseguir sair do problema. Vivemos um pesadelo que não acaba nunca, e cada vez mais parece que só fica pior. Além de a gestão ser não qualificada, ainda passou por uma pandemia, então as coisas ficaram mais lascadas do que estariam por si só.

A pandemia trouxe para o debate a questão da desigualdade social no Brasil. Como sair do discurso para a prática, já que é um tema muito debatido no Congresso, mas pouco efetivo?

Precisa de fato de solução, mas ao mesmo tempo não pode tomar decisões que vão lascar ainda mais o cenário do nosso País. A gente está num momento em que temos pobreza, pessoas passando fome. Inicialmente não tem pra onde correr, precisa suprir o básico necessário. Esses programas sociais são o escape. De imediato, são a única alternativa de colocar comida na mesa das pessoas, elas precisam. Agora, a longo prazo, precisa de políticas que olhem o que realmente importa, que é sair de um cenário de País de remendos e conseguir ser um país de políticas efetivas.

Você tem abordado vários temas da economia em suas redes sociais, um deles foi a polarização na política. Vê também essa polarização na economia?

A gente precisa analisar o que está sendo feito pelos políticos que estamos colocando no poder. Sair um pouquinho do viés do extremismo e começar a analisar projetos, o histórico de cada candidato, se o que ele está propondo é factível. Existe um grupo de pessoas que ainda continua apoiando, e essas pessoas na verdade estão se cegando para a situação atual. Não é questão de amar, de não amar, de dar o braço a torcer ou não, de ser orgulhoso e dizer errei ou não. É analisar os fatos e dizer ‘dei um voto de confiança, não fez, vou ser sincero com o que acontece’. No presente está ruim, está errado, precisa ser mudado. Hoje eu falei sobre cortar investimento na educação, que é um pilar do nosso País. ‘Ah, Gil, mas os recursos são escassos’, eu sei que são escassos. Precisa ter consciência sim, mas pô, vai dar paletó para deputado e vai tirar da educação? Vai dar auxílio lá para o povo ficar viajando a torto e a direito e vai tirar bolsa de quem tá pesquisando para encontrar soluções para sair da crise? Tem que cortar recursos da educação? Para quê, fundo partidário? Não dá para chegar com bilhões e bilhões para todo mundo. Mas o bilhão que está indo para o povo ali, eu acho que dá sim para ser cortado.

Logo no início do BBB, você começou a dar explicações de termos econômicos, o que te rendeu esse espaço de educador. Você sabia que, falando daquilo, teria um nicho?

Nunca imaginei. Na verdade eu sou muito emocionado, falo tudo que vem na minha cabeça. Dificilmente eu teria inteligência suficiente para criar uma estratégia, pelo contrário. Eu ficava com medo de falar besteira e o povo ficar ‘Eita! Não sabe de nada, cancela o mestrado dele!’. (risos) Tinha muito receio disso. Gosto muito de tratar a economia de uma maneira mais resenhosa, porque economia está em todo lugar. Hoje estava com uma repórter conversando e ela disse que não gostava de arrumar a casa, pagava R$ 50 para a irmã arrumar. A irmã gostava, porque arrumava um dinheiro, e ela gostava porque não tinha que fazer nada em casa. Isso é um conceito econômico. A gente brinca, quer resolver um problema econômico, põe um vetor de preço. As pessoas vão se organizar, fazendo trocas, toma isso, me dá aquilo... tendo um preço bem definido, as coisas se resolvem. A economia está todo dia, da maneira mais engraçada que a gente poderia tratar. Só que tem termos tão complexos, complicados, que parece difícil. E parece que as pessoas gostam de usar palavras difíceis para que ou pareça mais inteligente do que é, ou mais difícil do que é, ou pra dar um ‘tchã’.

Você falou sobre liderança política e também já disse que a crise só acaba quando o presidente Jair Bolsonaro sair do poder. Como vê sua voz nas eleições de 2022 depois de ter conquistado esse exército de seguidores?

Não sei se vou ter muita voz não, mas eu tenho a minha própria e vou falar, povo que lute. Não estou nem aí. Eu sou livre. Como pessoa, não penso em seguidores, em Twitter, nada. Penso em mim mesmo, porque eu já dava baile, já falava a cachorrada e vou continuar sendo assim. Se uma pessoa ou um bilhão vão ver e (se) o que eu falar vai de fato fazer as pessoas terem uma consciência próxima da minha, aí já não sei. E se eu vir que o negócio começar a apertar, minha filha, eu posso estar onde for, pego um avião, venho aqui, tiro dois dias, entendesse? Vou pra rua.

Mas vai apoiar políticos em especial ou vai ser um vetor de conscientização?

Eu quero ser um vetor de conscientização. Pretendo pegar propostas, estudar, analisar, se possível até em algum momento conversar com um, dois, três. Eu tenho, assim, uma paixão, né? Sou oriundo de escola pública, sou bolsista, nordestino... Mas isso não vai me isentar de analisar as propostas antes de tomar uma decisão. Vou me abrir para ler propostas de todo mundo, exceto um.

Presidente Bolsonaro?

(Gil ri) Olha, amiga, não tem nem o que fazer, né? Não tem nem o que dizer. Então, pretendo sim estudar as propostas, menos uma, por mais que eu já tenha uma inclinação. Sou muito tranquilo, e dependendo do que acontecer no ano que vem a gente vai meter a boca no trombone.

Medidas econômicas eleitoreiras podem beneficiar o presidente na eleição de 2022 a ponto de a população esquecer o que aconteceu na pandemia?

Não, amiga, tá amarrado em nome de Jesus. Não apaga, não. São quatro anos de sofrimento, né? Resultados econômicos não são vistos da noite para o dia. Já estamos vivendo no fundo do poço. Nossa saída é só lá pra cima. Não é possível que ele vá cavar mais. Ele pode estar pondo ouro. Temos que analisar agora o histórico do que aconteceu. Vidas foram perdidas. Estamos em 2021 e deu tempo de muita coisa ser feita. Se as coisas melhorarem, não fez mais do que a obrigação. Mas (a economia) não é capaz de interferir nos resultados. O brasileiro está muito consciente. A gente sabe o sufoco que passou nesse tempo. Não tem como favorecer a atual gestão, que é horrível.

O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, assumiu publicamente que é gay, assim como a governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra, é assumidamente homossexual. O quão importante é ter pessoas nesses postos, com essa representatividade?

Quando a gente vê um líder que defende a causa LGBTQIA+, é muito importante. Não é apenas o fato de ser ou não ser da comunidade LGBTQIA+.  Não é só pelo fato de eu ser gay que eu tenho que ser eleito. Tem que refletir a luta das causas em que está inserido. Ter representatividade é importante, mas também ter pessoas que lutem pelas causas, que ele sabe por viver as repressões na pele. Eu vivi durante muito tempo em meio a religiosos. Eu sei o preconceito. Só o fato de eu assumir, me colocar, me posicionar, já é um ganho para todos nós. Mas não para aí. É mais importante ainda ter representantes que vão lutar pela causa.

Depois do BBB, muita gente pergunta se você vai conseguir focar nos estudos da pós-graduação. Vai ser difícil?

Vai ser é fácil! Eu estou é rico! Agora eu posso estudar, comer e estou de boa fé. Difícil era antes, pobre. Estudar pensando ‘se eu for jubilado, me lasquei, se não passar, me lasquei’. Existe uma pressão tão grande de quem abandona o emprego para viver de bolsa de estudos. Medo de perder a bolsa, medo de ser expulso do programa. Eu pensava isso. Caramba, se eu for expulso do programa, quem vai pagar a comida de casa? Vou perder o financiamento? Tudo isso atrapalha o rendimento. Quando você não tem esses problemas, é uma alegria. É 100% de foco. Eu já planejei minha agenda: o sábado é para publicidade e o domingo para regozijar, beber e vigorar.

O que você vai estudar nos Estados Unidos?

Eu já pesquiso economia política e crime, intervenção do Estado sobre a violência gerada no mercado de drogas. O Estado tem o papel de reduzir os efeitos nocivos do tráfico de drogas. Inicialmente, quero seguir pesquisando nessa linha, que é algo com que me identifico. Quero também entrar na pesquisa das causas LGBTQIA+, sobre os homicídios, os crimes contra a comunidade. O tráfico de drogas está infestado pelo País e precisamos estudar o que está acontecendo. Estou também vivendo agora a experiência de ter mais curiosidade sobre essa parte de imposto, de nota fiscal, entender um pouco mais o mundo público, as políticas públicas, economia, educação.

Quais estudos?

Tem estudos, por exemplo, que tratam a questão do tráfico de drogas lá no México, do crime organizado, que acaba tendo um grande peso nos resultados políticos. Imagina você controlar o nível de violência para afetar o resultado da eleição! Digamos que eu fui eleito com um discurso de combate ao tráfico de drogas. Chegando próximo das eleições, esse cara toca o terror para gerar a falsa ideia de insegurança. Começa a questionar quem está no poder. Agora, se você é da patota, mostra que está tudo certo, passa uma falsa ideia. Mas, na verdade, ali está a relação do político com aquela organização. Conseguem de maneira muito sutil manipular as pessoas. Então a minha ideia é fazer com que as pessoas tenham o desejo de buscar essas informações.

De alguma forma, com os seus programas você já começou a fazer isso, como o que trata de fake news? Como você pensa nesses temas?

A gente chega lá e começa a falar. Tá na ponta da língua. Tem um agora que eu vou falar sobre os efeitos das milícias e o voto impresso. Esse estou doido para sair logo. As pessoas precisam entender. Eu começo fazendo uma parábola de super-herói e um vilão para explicar por que o voto impresso é uma b*. Na verdade, é uma manipulação com outras finalidades. Eu acho que as pessoas, quando assistirem, vão entender. Alguns Estados já foram quase dominados pela milícia. As pessoas são controladas. Colocar esse sistema (do voto impresso) é quase dar nosso arbítrio na mão desses grupos. Eles vão decidir quem é eleito, porque terão controle de quem a gente está votando. Eles já controlam quem entra e quem sai, a hora que dorme, o que faz. Imagina eles controlarem em quem a gente vai votar! Não que eles já não façam isso. Mas com o voto secreto, não tem como ter certeza.

Como tem sido o retorno das pessoas sobre a economia?

A dúvida das pessoas era muito simples. Muito sobre política e definições simples de conceitos, inflação, juros, bolsas de valores. Tem sido uma repercussão muito boa, dentro da bolha que eu vivo. Meus vigorantes e vigorosos.

Você disse que está rico. Já conseguiu investir seu dinheiro?

Já estou com mais de... eu não posso falar em valores, não, se não, sai na internet... Eu fiz o meu perfil (de investidor) e deu conservadoríssimo. Superconservador. Eu não lutei para ganhar e depois perder! Só quero é ganhar. Tenho renda fixa, CDB, títulos do Tesouro. Eu diversifiquei, né amiga? Não dá para colocar os ovos todos numa cesta, porque a cesta cai, quebra os ovos, eu tenho um infarto!

Você ficou rico...

De maio para cá, amiga, foi só riqueza.

Não gastou nada?

Não está vendo os impostos que estou pagando? É só impostos e funcionários. Sou empresário agora. Eu fiquei rica, linda e poderosa! Até mais bonito eu fiquei por causa do dinheiro. Mas estou bem conservador e esperando o momento certo. Eu preciso, primeiramente, ter um valor que na minha cabeça faça sentido para ter alguns tipos de rendimentos através de investimentos, antes de comprar imóveis.

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No ‘BBB’, Gil do Vigor mostrou que descomplicar a economia é possível

Acadêmico, que analisou o tráfico de drogas sob o ponto de vista econômico em estudos, inicia em breve PhD nos EUA

Idiana Tomazelli e Adriana Fernandes, O Estado de S.Paulo

09 de agosto de 2021 | 05h00

BRASÍLIA - Em fevereiro de 2021, quando a aceleração de preços começava a pesar novamente no bolso dos brasileiros, o economista Gilberto Nogueira, mais conhecido como Gil do Vigor, já estava confinado na casa do Big Brother Brasil, reality show da TV Globo, mas parecia adivinhar que o tema da inflação voltava a preocupar do lado de fora. Em uma conversa com outros participantes, ele explicou de forma didática o que alimenta a inflação e por que ela é um obstáculo à tentação de adotar a saída mais fácil: simplesmente imprimir dinheiro para resolver todos os problemas do País.

O carisma e a habilidade de transmitir conceitos complexos de forma simples e acessível à população não só conquistaram os fãs “vigorosos” de Gil, mas também atraíram a atenção de economistas e abriram as portas para que ele continuasse explorando esse nicho após deixar o programa.

Depois de suas explicações dentro do BBB viralizarem nas redes sociais, ele ganhou um quadro semanal no programa Mais Você, para tirar dúvidas da população, e faz publicações quinzenais sobre temas econômicos e políticos em sua conta no Instagram, onde tem mais de 14 milhões de seguidores. O primeiro episódio de “O Brasil tá lascado”, sobre negacionismo na pandemia, já teve 2,8 milhões de visualizações.

Do lado de fora da casa, Gil avisou que seu sonho era ser presidente do Banco Central – e gerou reação imediata da autoridade monetária do País. “Ficaremos alegres em contar com o seu vigor em nossa equipe. Seguimos juntos falando de economia aqui do lado de fora?”, escreveu o BC em maio. Ex-presidente do Banco Central, o economista Ilan Goldfajn se prontificou a conversar com Gil. “Ele é hoje o economista mais famoso do Brasil”, disse.

Gilberto Nogueira é economista pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), onde também fez mestrado e doutorado. Ele ingressou no BBB como candidato a PhD e saiu já com bolsa garantida para estudar na Universidade da Califórnia em Davis (EUA), sua primeira opção para continuar a carreira acadêmica.

Sua pesquisa é voltada para o estudo dos efeitos da intervenção do governo sobre a violência gerada pelos mercados de drogas. Uma das perguntas que Gil buscou responder é como o traficante, de atacado ou varejo, reage à repressão do Estado ao tráfico. As evidências, obtidas após muitos cálculos e emprego de modelos econômicos, apontam maior efetividade da repressão quando ela é aplicada no atacado, isto é, tendo como alvo grandes distribuidores.

De malas prontas para os Estados Unidos, o economista busca agora expandir sua área de conhecimento. Quer entender mais do mundo público, subsidiar políticas e também entrar na pesquisa de crimes contra a comunidade LGBTQIA+. “É gostoso estudar economia porque a gente começa a entender tanta coisa. E fazemos com que as pessoas também consumam um pouquinho disso”, diz. 

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