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Entenda a crise na AIG e a polêmica do pagamento dos bônus

Empresa pagou US$ 165 milhões em bonificações a altos executivos com dinheiro do contribuinte americano

Luiz Raatz, estadao.com.br

18 de março de 2009 | 16h15

O governo americano assumiu o controle da AIG em 16 de setembro do ano passado, com uma injeção de capital de US$ 85 bilhões na companhia. Nos últimos seis meses a participação estatal na empresa aumentou para 80% do capital acionário. Cerca de US$ 170 bilhões do contribuinte americano foram investidos na seguradora.

A AIG sofreu com a crise do subprime ao assegurar papéis de alto risco do mercado imobiliário americano. Sem recursos para pagar os papéis podres vendidos por bancos a investidores quando a crise estourou, a empresa foi socorrida pelo governo americano.

Ainda na administração George W. Bush, a seguradora foi parcialmente estatizada devido à sua importância no mercado global de capitais. A AIG tem negócios em toda a América do Norte, e nos principais mercados da América Latina e Europa, além de Rússia, China, Índia, países do extremo oriente e Austrália.

Na semana passada, o jornal 'The New York Times' antecipou que a AIG iria pagar US$ 165 milhões provenientes da verba injetada pelo governo em bônus para altos executivos. Esta bonificação, segundo a empresa, serve de incentivo para manter bons profissionais na seguradora.

O executivo-chefe da seguradora, Edward Liddy, disse que AIG estava de mãos atadas porque o pagamento estava em contrato." "Não podemos atrair os melhores e mais brilhantes talentos se os funcionários acreditarem que a remuneração está sujeita a ajustes arbitrários do Departamento do Tesouro dos EUA", afirmou em carta ao secretário do Tesouro, Tim Gheithner.

O governo reagiu imediatamente. Na segunda-feira, o presidente Barack Obama instruiu Gheithner para tomar todas as medidas legais a fim de impedir o pagamento. "Isto é um insulto injustificável aos contribuintes", disse."Não é uma questão de dinheiro. É uma questão de princípios".

Na terça, Gheithner anunciou um corte na próxima parcela de capital injetado pelo governo na AIG equivalente aos bônus pagos pela seguradora. Além disso, a administração federal vai forçar que a seguradora assuma um "compromisso de pagamento" ao Tesouro dos US$ 165 milhões, através do fluxo de caixa de suas operações. Na prática, a empresa terá de pagar duas vezes pelos bônus.

Em resposta, o executivo-chefe da companhia propôs a uma comissão da Câmara dos Representantes que seus executivos devolvam metade do dinheiro.

Segundo o procurador-geral de Nova York, Andrew Cuomo,a AIG criou 73 milionários ao conceder bônus de US$ 1 milhão ou mais pelo ano de 2008 a funcionários da unidade de produtos financeiros, incluindo 11 pessoas que não trabalham mais na empresa.

O maior bônus era de US$ 6,4 milhões. Outros seis empregados receberam US$ 4 milhões. Mais 15 funcionários receberam US$ 2 milhões e outros 51 ganharam de US$ 1 milhão a US$ 2 milhões, de acordo com o procurador. A AIG não divulgou os nomes dos milionários.

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