REUTERS/Murad Sezer
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Entenda a crise na Turquia e seus impactos

Vulnerabilidades da Turquia incluem altos níveis de dívida em moeda estrangeira, déficit em conta corrente e aumento dos custos de empréstimos; uma crise financeira no país afetaria principalmente os emergentes, como o Brasil

Dow Jones Newswires

13 Agosto 2018 | 16h11

NOVA YORK - Os últimos dias foram marcados pelas tensões comerciais renovadas por um tuíte de Donald Trump e uma queda mais acentuada na lira turca. A moeda já acumula queda de mais de 80% neste ano, enquanto os rendimentos dos títulos subiram vertiginosamente, empurrando a Turquia à beira de uma crise financeira. As vulnerabilidades da Turquia incluem altos níveis de dívida em moeda estrangeira, déficit em conta corrente e aumento dos custos de empréstimos.

Como começou a crise turca?

O presidente dos EUA, Donald Trump, dobrou as tarifas de aço sobre a Turquia, num momento em que o governo do país lutava contra o colapso de sua moeda. A decisão marcou uma mudança dos EUA, que geralmente tentavam acalmar os mercados financeiros globais durante períodos de turbulência nos mercados emergentes, especialmente quando os investidores estavam tomados pelo medo de contágio.

Trump elevou as tarifas das importações de aço da Turquia para 50% e do alumínio para 20%. A decisão aprofundou queda da lira e aumentou o temor de que a moeda mais fraca poderia agravar as fragilidades da economia turca, tornando mais difícil para o setor corporativo do país, altamente endividado, pagar os empréstimos nacionais e estrangeiros, colocando pressão sobre os bancos.

Países como a Turquia, que estão passando por turbulência econômica, costumam receber simpatia do resto do mundo, disse o economista-chefe internacional do Deutsche Bank, Torsten Sløk. "É bastante singular um mercado emergente que não só enfrenta um a crise macroeconômica doméstica, mas também um conflito político externo com o principal acionista do [Fundo Monetário Internacional]", disse.

Por que Trump elevou as tarifas dos produtos turcos?

Funcionários da administração Trump disseram que o aumento das tarifas foi destinado a impulsionar a indústria doméstica de aço e alumínio. O movimento se seguiu a uma série de ações do governo norte-americano nas últimas semanas para pressionar o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, a liberar o pastor evangélico norte-americano Andrew Brunson, que foi detido na Turquia em outubro de 216 por acusações de espionagem.

Em uma declaração formal sobre as tarifas emitida cerca de 12 horas após o primeiro anúncio do presidente Trump no Twitter -, a Casa Branca disse que a ação foi tomada porque as tarifas globais originais não tinham feito tanto quanto a administração desejava para impulsionar a produção doméstica de aço e alumínio. A declaração não explica por que só a Turquia foi atingida pelas tarifas mais altas.

Funcionários do governo disseram que as tarifas mais altas não estavam relacionadas à situação de Brunson. No entanto, em seu tweet anunciando o movimento, Trump pareceu ligar as tarifas à piora das relações entre as duas nações, o que sugere uma vontade de impor sanções comerciais como alavanca na busca de objetivos diplomáticos não relacionados.

"A recusa do presidente Trump para acomodar a Turquia é um notável abandono de práticas políticas anteriores", disse o diretor de investimentos da Cresset Wealth Advisors, Jack Ablin.

Quais são os impactos da crise na Turquia?

Com o início de uma nova semana, especialistas vão observar como as moedas dos mercados emergentes, como o Brasil, reagem, bem como as dívidas dos governos, em busca de sinais de contágio. A Turquia representa cerca de 1,5% do produto interno bruto global, portanto não se espera que as ondas do país sejam severas, avalia o economista-chefe internacional do Deutsche Bank, Torsten Sløk.

O ministro das Finanças da Turquia, Berat Albayrak - genro de Erdogan - que o governo tinha um plano para restaurar a calma e anunciou medidas para sustentar lira após desvalorização. "Todas as medidas e planos de ação estão prontos", disse ele ao jornal turco Hurriyet. "Nossas instituições tomarão as medidas necessárias." Entre as ações, o BC turco citou a elevação dos limites de depósito de garantia das operações com liras dos bancos de 7,2 bilhões de euros para 20 bilhões de euros.

No caso de contágio, o infortúnio econômico da Turquia provavelmente atingiria seus vizinhos mais próximos, que são os mais frágeis inicialmente, disseram alguns analistas de mercado. Um primeiro impacto foi sentido na Argentina, que elevou sua taxa de juros para 45% e no Brasil, assim como na Rússia, acrescentou o diretor de investimentos da Commonwealth Financial Network, Brad McMillan, em nota recente aos investidores.

Os colapsos cambiais podem ser perigosos para os mercados emergentes, especialmente quando eles tomam empréstimos em dólar e, portanto, têm mais dificuldade em pagar essas dívidas à medida que suas próprias moedas caem.

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