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Entenda as ações do Banco Central anunciadas nesta quinta

Ao determinar na manhã desta quinta-feira, 13, que os bancos passem a recolher a exigibilidade adicional dos compulsórios sobre depósitos a prazo, à vista e poupança em títulos públicos, e não mais em dinheiro, o Banco Central não está injetando liquidez no sistema. Afinal, em vez de colocar o dinheiro nas mãos do Banco Central, a instituição financeira terá de comprar os títulos públicos do Tesouro e, então, recolher esses papéis compulsoriamente. Como não houve alteração nas alíquotas desse compulsório, portanto, o efeito sobre a liquidez no sistema financeiro é zero.   Veja também: BC altera compulsório adicional e libera até R$ 40 bi aos bancos   A ação do BC tem basicamente dois objetivos. O primeiro é compensar o efeito sobre o mercado de títulos públicos que outra mudança nas regras do compulsório, anunciada no dia 30 de outubro, pode provocar. É que o BC determinou que, a partir desta sexta-feira, os bancos passem a recolher 70% dos compulsórios sobre depósitos a prazo em dinheiro, sem remuneração, e não mais em títulos públicos. Como os bancos terão de trocar os títulos hoje depositados por "cash", havia o risco de que a medida pudesse atrapalhar a rolagem da dívida mobiliária pelo Tesouro Nacional, ou ainda pressionar ainda mais o mercado secundário de títulos públicos - previa-se que haveria uma onda de venda de títulos públicos para atender à exigência.   O BC abriu, portanto, uma janela para a aquisição de títulos públicos para o recolhimento da exigibilidade adicional. Uma prova de que a medida vai nessa direção é que o Tesouro Nacional ampliou a oferta de papéis prefixados (LTN) no leilão tradicional de títulos públicos, cujas características foram anunciadas há instantes, depois de algumas semanas de volumes de oferta bastante pequenos.   O recolhimento do compulsório em dinheiro, que vale a partir desta sexta, foi decidido para estimular bancos a adquirirem carteiras de crédito de outras instituições - o que desobrigaria o recolhimento dessa parcela de 70% de compulsórios sobre depósitos a prazo. Assim, o BC elevou o custo de oportunidade dos bancos que deixarem o dinheiro parado, em vez de adquirir carteiras de crédito.   Em um momento de alto risco, a medida pode não surtir efeito imediato. Afinal, os bancos podem preferir manter o dinheiro com o BC, sem remuneração, a comprar uma carteira que não atenda ao interesse da instituição neste momento. Mas, à medida em que as condições de liquidez melhorarem e a aversão ao risco for reduzida, isso pode representar um estímulo para aquisições, que garantiriam o equilíbrio do sistema financeiro. Isso é o que se pode deduzir das intenções do BC com essas medidas. Entretanto, se o quadro piorar, é certo que a aversão ao risco vai falar mais alto.   O segundo objetivo da medida anunciada nesta quinta vai na mesma direção de outros esforços adotados até aqui: abrir espaço para que os bancos destinem recursos para operações de crédito, seja por meio da aquisição de carteiras de outras instituições, seja pela oferta direta de empréstimos a clientes. Isso porque os bancos têm uma demanda por títulos públicos e destinam cotas de seu caixa para isso.   Ao permitir que essa parcela do compulsório seja usada para comprar os títulos, as instituições financeiras ficarão com outros recursos liberados para operações diferentes como, por exemplo, operações de crédito. Neste momento, há chance de esse dinheiro continuar sendo rolado no curto prazo, isto é, de os bancos continuarem preferindo emprestar ao BC nas operações diárias no mercado aberto. Mas também vale o raciocínio acima. À medida em que as condições de mercado melhorarem, as instituições podem voltar-se para o crédito.

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