The New York Times
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Entenda as razões para o otimismo com a economia americana

Repórter que acompanhou décadas de tendências sombrias vê as coisas se alinhando para um crescimento estrondoso

Neil Irwin, The New York Times

17 de março de 2021 | 10h00

A economia do século 21 tem sido uma série de socos no estômago há duas décadas. O século começou com o triunfalismo econômico nos Estados Unidos, com uma sensação de que os ciclos de negócios tinham sido conquistados e a prosperidade assegurada para um futuro incrivelmente brilhante. Em vez disso, uma recessão leve foi seguida por uma recuperação fraca, seguida por uma crise financeira, seguida por outra recuperação fraca, seguida por um colapso induzido por uma pandemia

Alguns anos antes da pandemia à parte, foram duas décadas de desigualdade avassaladora e crescimento nada impressionante - uma economia na qual um mercado de trabalho persistentemente fraco deixou um vasto potencial humano inexplorado, ajudando a alimentar disfunções sociais e políticas.

Essas duas décadas coincidem quase exatamente com minha carreira como jornalista de economia. É a razão pela qual, entre meus colegas, tenho a reputação de escrever textos que variam entre agourentos, sombrios e aterrorizantes.

Mas, por mais estranho que possa parecer nesta época de pandemia, estou começando a ficar otimista. É uma sensação estranha, porque tantas pessoas estão sofrendo - e porque, durante grande parte da minha carreira, uma perspectiva sombria tem sido a correta.

Projeções não são tão simples, é claro, e muitas coisas podem dar errado e tornar as décadas futuras tão ruins ou piores do que o passado recente. Mas esse otimismo não se refere apenas aos detalhes da nova legislação de alívio à pandemia ou à política do momento. Em vez disso, decorre de um diagnóstico de três megatendências problemáticas, todas relacionadas.

Tem havido uma escassez de inovação que altere a economia, o tipo que alimenta o rápido crescimento do potencial produtivo da economia. Tem existido um excesso global de mão de obra por causa de um período de rápida globalização e mudança tecnológica que reduziu o poder de barganha dos trabalhadores nos países ricos. E tem acontecido uma demanda persistentemente inadequada de bens e serviços que a política governamental não foi capaz de corrigir.

Não há uma razão, entretanto, para pensar que essas tendências negativas tenham chegado ao fim. Existem 17.

1. O ketchup pode estar pronto para cair

Em 1987, o economista Robert Solow disse: “Você pode ver a era dos computadores em qualquer lugar, menos nas estatísticas de produtividade”. As empresas estavam fazendo grande uso de melhorias rápidas na capacidade de computação, mas a economia geral não estava realmente se tornando mais produtiva.

Essa análise estava certa até se tornar errada. A partir de meados da década de 1990, as inovações tecnológicas no gerenciamento da cadeia de suprimentos e na produção da fábrica permitiram que as empresas conseguissem mais resultados econômicos de cada hora de trabalho e dólares de gastos de capital. Essa foi uma razão importante para o boom econômico do fim da década de 1990.

O paradoxo da produtividade de Solow, como a ideia por trás de sua citação seria chamada mais tarde, refletia um insight: uma inovação, por mais revolucionária que seja, geralmente terá pouco efeito na economia em geral imediatamente após ser inventada. Muitas vezes, leva muitos anos para que as empresas descubram exatamente o que têm e como isso pode ser usado, e mais anos para resolver os problemas e reduzir os custos.

No começo, isso pode até mesmo diminuir a produtividade! Na década de 1980, as empresas que experimentaram novas tecnologias de computação frequentemente precisavam empregar novos exércitos de programadores, assim como outros profissionais, para manter o ritmo de sistemas antigos e redundantes.

Mas, uma vez que esses obstáculos sejam superados, a inovação pode se espalhar com velocidade vertiginosa. É como o velho ditado: “Agite e sacuda o frasco de ketchup. Primeiro, nada desce, depois vem um monte”.

2. A tecnologia das baterias da década de 2020 faz lembrar a dos microprocessadores da década de 1990

Lembra da Lei de Moore? Era a ideia de que o número de transistores que poderiam ser colocados em um circuito integrado dobraria a cada dois anos, conforme a tecnologia de fabricação melhorasse. Essa é a razão pela qual você pode estar usando um relógio com mais poder de processamento do que os dispositivos que enviaram as pessoas ao espaço sideral na década de 1960.

A tecnologia das baterias não está melhorando exatamente nesse ritmo, mas não está muito atrás. O preço das baterias de íon-lítio caiu 89% em termos ajustados pela inflação desde 2010, de acordo com a BloombergNEF, e deve cair ainda mais. Houve avanços semelhantes em células solares, aumentando a perspectiva de uma energia limpa mais difundida e barata.

Outra semelhança: microprocessadores e baterias não são um fim em si mesmos, mas sim tecnologias que permitem muitas outras inovações. Chips de computador rápidos e baratos levaram ao software que revolucionou a economia moderna. Baterias baratas e células solares podem levar a uma onda de inovação em relação a como a energia é gerada e usada. Estamos apenas nos estágios iniciais desse processo.

3. Inovações em desenvolvimento podem se combinar de maneiras inesperadas

No início do século 20, o encanamento doméstico estava se tornando algo comum nos EUA. Assim como a eletricidade dentro de casa. Mas as pessoas que instalaram aqueles encanamentos e as redes de energia elétrica provavelmente não tinham ideia de que, na década de 1920, a ampla disponibilidade de eletricidade e água corrente nas casas permitiria a adoção da máquina de lavar, um dispositivo que economizava muito tempo e trabalho exaustivo aos americanos.

Isso exigia não apenas eletricidade e água corrente, mas também revoluções nas técnicas de manufatura, produção e distribuição. Todas essas inovações combinadas tornam a vida doméstica muito mais fácil.

Será que uma combinação de tecnologias em desenvolvimento agora poderia criar mais melhorias nos padrões de vida do que qualquer uma delas isoladamente?

Pense em carros e caminhões sem motorista. Eles contarão com pesquisas de longa data em software de inteligência artificial, sensores e baterias. Após anos de publicidade, bilhões de dólares em investimentos e milhões de quilômetros de test drives, as possibilidades estão começando a aparecer.

A Waymo, uma empresa de propriedade do Google, lançou um serviço de táxi sem motorista ao público nos subúrbios de Phoenix. Grandes empresas, incluindo General Motors, Tesla e Apple também estão correndo atrás disso, junto com muitos concorrentes menores.

Aplique a mesma lógica para cuidados de saúde, armazenamento, indústria pesada e inúmeros outros campos. As invenções desenvolvidas agora podem ser combinadas de novas maneiras que ainda não podemos imaginar.

4. A pandemia tem nos ensinado a como trabalhar remotamente

Ficar em casa pode gerar alguns dividendos econômicos surpreendentes. Como as empresas e os trabalhadores têm aprendido a trabalhar remotamente, isso poderia permitir que mais pessoas em lugares menos caros e com menos empregos bem remunerados fossem mais produtivas. Isso poderia permitir que as empresas funcionassem com menos espaço de escritório por funcionário, o que, em termos econômicos, significa menos capital necessário para gerar a mesma produção. E pode significar uma redução no tempo de deslocamento.

Mesmo após o recuo da pandemia, se apenas 10% dos trabalhadores de escritório continuassem tirando proveito de uma rotina de trabalho mais remota, isso teria grandes implicações para o futuro econômico dos EUA - más notícias se você for um proprietário de um edifício comercial caro, talvez, mas boas notícias para perspectivas gerais de crescimento.

5. Até Robert Gordon está (um pouco) mais otimista!

Robert Gordon escreveu o livro sobre o déficit dos EUA em inovação e produtividade nas últimas décadas - um livro de 784 páginas publicado em 2016, para ser mais preciso. Agora Gordon, economista da Universidade Northwestern, está um pouco, meio que moderadamente otimista. “Eu esperaria que o crescimento na década de 2020 seja maior do que foi na década de 2010, mas não tão rápido como foi entre 1995 e 2005”, disse ele recentemente.

6. Crises impulsionam inovações

A mobilização para lutar na Segunda Guerra Mundial foi um feito notável. As empresas e o governo trabalharam juntos para aumentar drasticamente a capacidade produtiva da economia, colocar milhões para trabalhar e promover inúmeras inovações, como a borracha sintética e a produção em massa de aeronaves.

Da mesma forma, a Guerra Fria gerou uma onda de investimento público e inovações, como os satélites (um subproduto da corrida espacial) e a internet (originalmente destinada a fornecer comunicação descentralizada no caso de um ataque nuclear).

Será que nossas crises atuais podem impulsionar ambições semelhantes? A pandemia de covid-19 já acelerou o uso da tecnologia de mRNA para a criação de novas vacinas, que podem ter consequências de longo alcance para a prevenção de doenças.

E, à medida que a década de 2020 avança, o senso de urgência cada vez mais profundo para reduzir as emissões de carbono e lidar com as consequências das mudanças climáticas é o tipo de desafio universal que pode ser tão encorajador quanto essas experiências - com implicações semelhantes para investimento e inovação.

7. Mercados de trabalho reduzidos também levam à inovação

Por que a Revolução Industrial começou na Grã-Bretanha em vez de qualquer outro lugar? Uma teoria é que os salários relativamente altos lá (resultado do comércio internacional) criaram uma urgência para que as empresas substituíssem o trabalho humano por máquinas. Com o tempo, encontrar maneiras de fazer mais com menos trabalhadores gerou rendas e padrões de vida mais altos.

Mas por que o mercado de trabalho da década de 2020 pode ser reduzido? Tudo se resume a duas grandes ideias: mudanças na economia global e na demografia que tornam os trabalhadores mais escassos na próxima década do que nas últimas; e uma determinação recém-descoberta e bipartidária por parte dos formuladores de políticas em Washington de alcançar o pleno emprego.

8. Existe apenas uma China

Imagine uma cidade rural isolada com 100 habitantes. Cinco desses 100 são donos de fazendas. Outros 10 atuam como gerentes em nome dos proprietários. E há cinco intelectuais que ficam sentados pensando em como devemos resolver as coisas. As outras 80 pessoas são trabalhadores.

O que aconteceria se de repente aparecessem outros 80 trabalhadores, pessoas que estavam acostumadas a padrões de vida mais baixos?

Os intelectuais podem contar uma história complexa sobre como a chegada de vários trabalhadores ao mesmo tempo acabaria por melhorar a vida de todos, à medida que mais terras seriam cultivadas e os trabalhadores poderiam se especializar mais. Os proprietários e seus gerentes ficariam felizes porque se tornariam instantaneamente mais ricos (eles poderiam pagar menos às pessoas para arar os campos).

Mas os 80 trabalhadores de antes - competindo por seus empregos com a chegada de mão de obra mais barata - veriam apenas sofrimento imediato. O argumento de longo prazo de que todo mundo fica mais rico no final não teria muito peso.

Isso é essencialmente o que aconteceu nas últimas décadas, quando a China deixou de ser isolada e passou a estar profundamente integrada à economia mundial. Quando o país aderiu à Organização Mundial do Comércio, em 2001, sua população de 1,28 bilhão era maior do que a dos 34 países avançados que formam a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) - 1,16 bilhão.

Mas esse foi um ajuste único e os salários estão subindo rapidamente na China, à medida que ela deixa de estar limitada à manufatura de baixa renda e passa a trabalhar com produtos mais sofisticados. A Índia, o único outro país com população comparável, já está bem integrada na economia mundial. À medida que a globalização continua, isso deve ser um processo mais gradual.

9. Existe apenas um México

Durante anos, os trabalhadores americanos começaram a competir com mexicanos de baixa renda após a promulgação do Acordo de Livre-Comércio da América do Norte, em 1994. Assim como no caso da China, a nova dinâmica melhorou as perspectivas econômicas de longo prazo para os Estados Unidos, mas, no curto prazo, foi ruim para muitos operários americanos.

Mas também foi um ajuste feito uma única vez. Mesmo antes do presidente Donald Trump, os acordos comerciais em negociação, em grande parte, já não se concentravam em facilitar a importação de países de baixo custo de mão-de-obra. O principal objetivo era melhorar as regras comerciais para as empresas americanas que fazem negócios em outros países ricos.

10. A revolução do offshoring (realocação de processos de um país para outro) está quase acabando

Antigamente, se você fosse uma empresa americana que precisava operar um call center de atendimento ao cliente ou realizar algum trabalho intensivo em tecnologia da informação não tinha escolha a não ser contratar um bando de americanos para fazer tudo. O surgimento das telecomunicações globais instantâneas e baratas mudou o panorama, permitindo que você trabalhe onde quer que os custos sejam mais baixos.

Na primeira década dos anos 2000, as empresas americanas fizeram exatamente isso, em grande escala, transferindo trabalho para países como Índia e Filipinas. Foi uma versão ligeiramente diferente da analogia que já acontecera no campo: uma operadora de atendimento ao cliente no Kansas de repente estava competindo por emprego com milhões de indianos de baixa renda.

Mas a internet não vai ser inventada pela segunda vez.

Está sentindo uma tendência aqui? Nos primeiros anos do século 21, uma combinação de globalização e avanços tecnológicos colocou os trabalhadores americanos em competição com bilhões de trabalhadores em todo o mundo.

Isso criou uma dinâmica em que os trabalhadores tinham menos poder de barganha e as empresas podiam economizar custos sem criar maneiras mais inovadoras de fazer as coisas, mas explorando uma forma de arbitragem de custos de trabalho. Talvez não seja o caso na década de 2020.

11. Os baby boomers não vão trabalhar para sempre

A onda de nascimentos que ocorreu nas duas décadas após a Segunda Guerra Mundial criou uma geração enorme, com consequências de longo alcance para a economia. Agora, com idades variando de 57 a 76 anos, os baby boomers estão se aposentando, e isso significa uma oportunidade para as gerações que vieram depois.

Como os boomers seguirão consumindo - gastando suas economias, pensões e benefícios de Previdência Social - haverá uma demanda relativamente estável por bens e serviços e um grupo relativamente menor de trabalhadores para produzi-los. 

12. Os millennials estão chegando ao auge

O gasto tem um ciclo de vida. Os jovens adultos não ganham muito dinheiro. À medida que envelhecem, começam a ganhar mais. Muitos começam a formar família e passam a gastar muito mais, comprando casas, carros e tudo o que for necessário para criar as crianças. Depois, tendem a cortar gastos à medida que os filhos saem de casa.

Pelo menos é o que os dados dizem que ocorre na média. A taxa de gastos com consumo dispara entre os americanos na casa dos 20 e 30 anos, atingindo o pico em torno dos 40 anos. Provavelmente não é coincidência que alguns dos melhores anos para a economia americana nas gerações recentes foram de 1983 a 2000, quando a geração baby-boom estava nesse período crucial de gastos altos.

Adivinhe qual geração está nessa fase da vida na década de 2020? Os millennials, uma geração ainda maior do que os boomers.

Eles tiveram um início de vida adulta difícil, começando a carreira à sombra da Grande Recessão. Mas todo esse amadurecimento pode ter consequências econômicas grandes e positivas para a próxima década.

13. Todo mundo gosta do aquecimento   

Doze anos atrás, um presidente democrata assumiu o cargo num momento de crise econômica. Ele conseguiu acabar com a crise, mas a expansão que se seguiu foi uma decepção, com anos de crescimento lento e milhões de pessoas desempregadas ou fora do mercado de trabalho.

O tom da discussão sobre política econômica durante aqueles anos, entretanto, era diferente. O presidente Barack Obama falava de seus planos para reduzir o déficit orçamentário. Os republicanos no Congresso exigiam ainda mais restrição fiscal. Altos funcionários do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) se preocupavam com os riscos de inflação, mesmo com o desemprego alto e a inflação persistentemente baixa.

A presidência de Trump mudou essa discussão. Mesmo com os cortes de impostos ampliando o déficit orçamentário, as taxas de juros permaneceram baixas. Mesmo com a queda da taxa de desemprego para níveis não vistos em quase cinco décadas, a inflação continuou baixa. Com base no desempenho da economia em 2018 e 2019 e até o início da pandemia, era evidente que a economia americana poderia aquecer mais do que o consenso da era Obama parecia permitir. Essa percepção tem implicações poderosas para a década de 2020.

14. Biden quer deixar rolar

O presidente Joe Biden e os democratas do Congresso estavam determinados a aprender as lições da era Obama. Biden se envolveu profundamente naquele plano de estímulo, que se mostrou inadequado para a tarefa de criar e sustentar uma recuperação robusta.

A lição que Biden e o Partido Democrata tiraram de 2009 é bem clara: faça o que for preciso para fazer a economia funcionar e a política trabalhará a seu favor. Esse pensamento os levou à conta do alívio de US$ 1,9 trilhão que o presidente assinou na quinta-feira, 11.

15. Powell quer deixar rolar

“Para chamar algo de quente, você precisa sentir o calor”, disse Jerome Powell, presidente do Federal Reserve, em 2019. É um bom resumo da abordagem econômica do Fed.

Em termos mais formais, o Fed tem uma nova estrutura de política chamada “Metas de inflação de média flexível”. Na verdade, é um repúdio às estratégias anteriores do Fed de desacelerar preventivamente a economia para evitar um surto de inflação previsto pelos modelos econômicos.

Agora, o Fed diz que aumentará as taxas de juros em resposta à inflação real da economia, não apenas às previsões, e não agirá simplesmente porque a taxa de desemprego está mais baixa do que os modelos afirmam que ela pode chegar de forma sustentável.

Quase todas as vezes que fala, Powell soa como um verdadeiro crente na igreja do pleno emprego.

16. Os republicanos estão se afastando da política de austeridade

Vamos nos lembrar de um evento que ocorreu há menos de três meses (que pode parecer três anos atrás): a esmagadora maioria bipartidária no Congresso aprovou um projeto de lei de US$ 900 bilhões para alívio econômico frente à pandemia. Então, um presidente republicano ameaçou vetá-lo, não porque fosse muito generoso, mas porque era muito mesquinho.

Trump não conseguiu aumentar os pagamentos de US$ 600 para US$ 2.000 para a maioria dos americanos, mas assinou a legislação do mesmo jeito, a contragosto. O episódio, porém, reflete uma mudança do foco na austeridade fiscal que prevalecia na era Obama.

17. A era pós-pandemia pode começar com uma explosão

O ano passado foi terrível em quase todos os aspectos. Mas é fácil ver o potencial econômico disparar desde a largada, feito um velocista olímpico.

Isso poderia ter consequências para além de 2021. Uma rápida retomada da economia pós-pandemia poderia criar um ciclo virtuoso em que os consumidores gastam, as empresas contratam e investem para atender a essa demanda e os trabalhadores acabam tendo mais dinheiro no bolso para consumir ainda mais.

Os americanos economizaram US$ 1,8 trilhão a mais durante a pandemia, refletindo a ajuda do governo e a redução dos gastos. É dinheiro que as pessoas podem gastar nos próximos meses. Ou que pode dar a elas um nível de conforto por saber que têm poupança suficiente e que podem gastar mais de seus ganhos.

As coisas também estão preparadas para um boom na classe executiva. A confiança dos CEOs está na maior alta dos últimos 17 anos, e valorizações quase recordes no mercado de ações indicam que as empresas têm acesso a capital muito barato. Não há razão para que as corporações americanas não possam contratar, investir e expandir para tirar proveito do aumento da atividade pós-pandemia.

E, no nível psicológico, todo mundo quer desesperadamente voltar a sentir uma sensação de alegria, de exuberância, não quer? Essa emoção pode ser a força econômica mais poderosa de todas.

A economia pode ser uma ciência sombria e nós que escrevemos sobre ela estamos condenados a ver o que há de errado no mundo. Mas, às vezes, as coisas se alinham de maneiras surpreendentes e o resultado é um período em que as coisas realmente melhoram. Parece que é o que estamos vivendo agora. / TRADUÇÃO DE RENATO PRELORENTZOU e ROMINA CÁCIA

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