Helvio Romero/Estadão - 9/5/2018
Helvio Romero/Estadão - 9/5/2018

Entenda como a inflação é calculada

Para chegar à variação do IPCA, IBGE acompanha o movimento de mais de 450 itens, que refletem o consumo das famílias com renda mensal de até R$ 38,1 mil

Márcia De Chiara, O Estado de S.Paulo

06 Setembro 2018 | 09h32

O sobe e desce dos preços de produtos e serviços mais consumidos pelos brasileiros é medido todos os meses pelos índices de preços ao consumidor. O termômetro oficial que capta essa variação média é o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Esse indicador acompanha o movimento de mais de 450 itens, que abrangem  alimentos, roupas, gastos com moradia, saúde, educação e lazer. Os preços desses itens são pesquisados nas principais regiões metropolitanas do País. Essa cesta reflete o consumo do dia a dia das famílias com renda mensal de até R$ 38,1 mil. Quando há mais itens da cesta com preços aumentando do que diminuindo em relação ao mês anterior, o resultado é inflação. No entanto, se existem mais preços em queda do que em alta, o resultado do indicador  é negativo, ou seja há deflação.

O economista Heron do Carmo, professor da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (USP) e um dos maiores especialistas em preços, ressalta que o IPCA é um indicador social. Isto é, o seu resultado mensal é uma média que revela a direção dos preços da economia: se a maioria está indo para cima ou para baixo. “O IPCA não é um indicador individual”, frisa.

 

Isso explica porque muitas vezes as pessoas desconfiam dos resultados apresentados pelo indicador e ficam revoltadas, pois sentem no bolso uma inflação muito maior do que a estampada no IPCA. Essas variações ocorrem porque toda média não consegue caracterizar, no detalhe, a situação de cada um.

Para ilustrar esses conflitos, Heron cita dois exemplos: uma família jovem com filhos em idade escolar e um casal de aposentados com filhos criados. No primeiro caso, aumentos da mensalidade do colégio e variações de preços do material escolar pesam na inflação dessa família e no orçamento da casa. Já para o casal de aposentados, essas variações de preços da escola e do material escolar não têm a menor importância. Neste caso, o que pode fazer a diferença no orçamento dos aposentados é o reajuste do plano de saúde e o aumento do preço dos remédios, por exemplo.

Poder de compra e bem-estar

Mas, se os índices de inflação são uma média e não conseguem captar com precisão a inflação de cada um, então para que eles servem?

Heron explica que os índices de inflação têm muitos usos. Para a população em geral, servem para avaliar se o padrão de vida das pessoas melhorou ou piorou. Se o IPCA dispara e a inflação supera o reajuste anual dos salários, as pessoas que vivem de salário perdem poder para comprar produtos e serviços. Com isso, o seu padrão de vida cai. Isso provoca uma sensação menor de bem-estar. E o bem-estar tem relação direta com o consumo.

Além de ser o principal termômetro do poder aquisitivo das famílias, o economista ressalta que o índice de preço ao consumidor também cumpre outros papéis. Ele funciona, por exemplo, como importante parâmetro para avaliar como andam os macro preços da economia: salários, juros, câmbio. Com base nessas comparações, quem comanda a política econômica pode identificar problemas e fazer correções.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.