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Entenda como é a manobra contábil usada pela WorldCom

A contabilização de despesas como investimentos acaba inflando os lucros de uma empresa. Foi isso que fez a Worldcom, conforme apontou sua auditoria interna. Entre 2001 e o primeiro trimestre deste ano, US$ 3,8 bilhões foram transferidos da conta de despesas para a de investimentos no balanço da companhia. A própria empresa anunciou que o procedimento não está de acordo com as normas contábeis aceitas nos Estados Unidos, o US Gaap. Segundo o sócio da KPMG responsável pelo setor de telecomunicações, Manuel Fernandes, o investimento de uma empresa é definido como um bem ou direito (ativo), que pode ser transformado em caixa futuramente. Exemplo: investimentos para a construção de uma fábrica. No futuro, a empresa terá retorno com as receitas a serem geradas pela produção, ou até mesmo com a possibilidade de venda da fábrica para fazer caixa. Já as despesas são gastos realizados pela companhia, que não podem ser transformados em recursos. ?As despesas não podem ser capitalizadas?, disse Fernandes, ao explicar tecnicamente como funciona a contabilização. ?Nos Estados Unidos, as empresas só podem jogar como ativo o que for necessário para colocar os bens em condições de uso.? A contabilização dos investimentos é feita no balanço patrimonial e não passa pela demonstração de resultados, ou seja, não afeta diretamente o lucro. As despesas entram diretamente na demonstração de resultados, abatendo as receitas e influenciando o lucro. Ao jogar despesas como investimentos, a Worldcom acabou inflando seus resultados, que não trouxeram o impacto negativo dos gastos. Segundo o auditor da KPMG, a definição entre despesas e investimentos é bem clara para os profissionais do ramo.

Agencia Estado,

26 de junho de 2002 | 16h01

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