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Entenda o debate sobre a conexão 5G

A tecnologia terá importância estratégica no destino das nações e, obviamente, no jogo geopolítico global

Celso Ming e Guilherme Guerra, O Estado de S.Paulo

21 de fevereiro de 2020 | 19h00

O 5G, nova geração de conexão digital, não será um 4G melhorado. Será uma revolução.

Promete alavancar a internet e dar conectividade a casas inteligentes, a frotas de centenas de milhares de veículos autônomos e mesmo a cidades inteiras, com semáforos e postes de iluminação acoplados a redes online.

Como será ferramenta de grande alcance, sua utilização terá importância estratégica no destino das nações e, obviamente, no jogo geopolítico global.

Nesse campo, a China está mais avançada do que os Estados Unidos. Quem chegar primeiro nessa corrida tecnológica terá melhores condições de dominar o futuro. Especialmente preocupado com o risco de perda de hegemonia em mais um campo de grande alcance, o presidente Donald Trump vem usando a força política dos Estados Unidos para bloquear o acesso das outras potências, inclusive o do Brasil, à tecnologia da China. 

Depois que baniu a presença nos EUA da gigante chinesa Huawei, Trump passou a jogar pesado, brandindo para isso questões de segurança nacional. Alega que a tecnologia chinesa torna vulnerável o país que a usa à apropriação de informações altamente sensíveis, por meio dos chamados backdoors, as portas ocultas dentro dos softwares do sistema.

Trata-se de argumento de qualidade duvidosa porque, até agora, especialistas independentes não conseguiram detectar nada de especialmente suspeito no pacote chinês. Entre ser possível espionar e pôr em prática a espionagem há enorme diferença, assim como também é possível que o Facebook ou o Google, empresas de capital americano, possam ser usados para dar acesso a informações confidenciais de qualquer pessoa e de qualquer empresa. Isso não significa que o façam.

A Huawei não é a única empresa de telecomunicações metida no xadrez do 5G. A sueca Ericsson e a finlandesa Nokia, por exemplo, correm por fora, embora até agora sem o sucesso de expansão mostrado pela líder chinesa. 

O risco de implantação de backdoors há em todas as empresas do ramo, independentemente do país de origem do seu capital. Sérgio Ribeiro, consultor de segurança do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD), não descarta a possibilidade de que todo o sistema de 5G se torne alvo de ataques cibernéticos ou de espionagem.

A geração anterior (a do 4G) opera dentro dos limites físicos da infraestrutura local, com pouco emprego de software. O 5G vem com a novidade de que se concentrará sobre informações em nuvem para processamento em tempo real. “Como contará com muito mais códigos de programação, será preciso mais cuidado com invasões”, adverte Ribeiro. Ou seja, eventuais ameaças deixam o âmbito do espaço físico, como acontece com a rede 4G, e alcançam também o virtual, onde tudo acontece muito mais rapidamente.

Até mesmo no caso de um ataque cibernético, o contra-ataque também passaria pela nuvem, o que não deixa de ser uma vantagem do 5G, observa o consultor. “Identificada a vulnerabilidade, será possível atuar mais rapidamente, isolá-la e atualizar o software”, explica.

Relatório recém-publicado pelo Centro de Cibersegurança do Reino Unido registra que a Huawei foi aprovada depois de rigorosa verificação dos técnicos britânicos. E ressalta que existem maneiras menos arriscadas e mais eficazes de desfechar um ciberataque às redes do país do que, simplesmente, instalar backdoors na rede 5G. Mas faz uma advertência. Sugere que o país que adotar o sistema diversifique suas fontes para que não se torne refém da Huawei. Fica para ser visto se essa recomendação será seguida, já que seria opção substancialmente mais cara.

O analista da consultoria Eurasia Filipe Carvalho comenta que, em se tratando do 5G, não tomar cuidado agora pode trazer altos passivos tecnológicos no futuro, como cidades inteligentes inteiras com problemas de conexão, na medida em que possam se tornar dependentes de um único fornecedor. “O 5G é uma revolução. Decisões tomadas hoje produzirão efeitos ao longo dos próximos 20 anos. Por isso este debate tem uma importância muito maior do que teve quando da adoção das gerações anteriores de conexão”, explica. 

Após pressionar os aliados europeus a alijar a Huawei da sua carteira de fornecedores, o próximo alvo dos Estados Unidos nessa direção será a América Latina. No entanto, conforme já sinalizado pelo governo, o Brasil deverá adotar postura pragmática e abrir o mercado para todas as empresas, sem restrições.

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