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Entenda o esquema de pirâmide financeira realizado por Madoff

Bernard Madoff, operador renomado de Wall Street e fundador da Bernard L. Madoff Investment Securities LLC, foi preso no dia 11 de dezembro acusado de estar por trás de um esquema multibilionário e fraudulento de pirâmide financeira conhecido como Ponzi. A fraude era feita da seguinte forma: a empresa de Madoff atraía os investidores oferecendo níveis de rentabilidade que chegavam a 1% ao mês, ou seja, mais de 10% de retorno no investimento por ano. Ele, então, utilizava o dinheiro desses novos investidores para pagar clientes antigos, que queriam resgatar os recursos aplicados.  O esquema funcionava porque os rendimentos não eram pagos aos investidores todo mês, apenas acompanhado por eles. Esse dinheiro só seria devolvido ao cliente quando este resgatasse seu investimento. O problema é que, diante de grande demanda por resgates em decorrência da crise financeira, o fundo de Madoff ficou sem dinheiro para pagar os investidores e a fraude veio à tona. Agora que suas supostas vítimas questionam por que as autoridades americanas não checaram antes o que estava acontecendo, parece que a forma como Madoff operava foi decisiva para o seu sucesso. Descrito como "afável" e "de alto nível, mas de uma forma discreta", o banqueiro se esforçou para manter sua aura de exclusividade.  Muitos de seus clientes mais ricos foram conquistados em conversas em clubes para abastados em Nova York ou na Flórida, e Madoff dava a eles uma sensação de pertencerem a um círculo privilegiado. Ele usou esses grandes nomes para atrair outros investidores, até que sua influência passou a se estender a grandes bancos, fundos hedge e até mesmo organizações beneficentes.  As operações de Madoff, de fato, eram bem obscuras. Além de sua empresa original, a Bernard L. Madoff Investment Securities, ele dirigia uma empresa de assessoria financeira totalmente separada - e é essa empresa que está envolvida na suposta fraude.  Ele nunca revelou seus métodos de operação no mercado ou como ele gerava os lucros substanciais para os investidores que representava. "É uma estratégia do meu negócio. Não posso dar muitos detalhes", disse ele certa vez.  A Comissão de Valores Mobiliários (SEC) dos Estados Unidos tinha autoridade para investigar os negócios de Madoff. Analistas financeiros levantaram dúvidas sobre as práticas de Madoff repetidamente ao longo da última década, incluindo uma carta de 1999 para a SEC que acusava Madoff de estar realizando o esquema Ponzi. Mas a agência não conduziu nem mesmo uma análise de rotina no fundo de investimentos até a semana passada. Mas como essa situação não levantou antes a suspeita dos órgãos reguladores? A resposta envolve provavelmente uma combinação do prestígio pessoal de Madoff com sua exploração cuidadosa de certas brechas no sistema. Como ex-presidente da Nasdaq, com uma coleção de outras diretorias no currículo, e generoso doador em causas beneficentes, Madoff era um homem que inspirava confiança. Quanto aos reguladores, a SEC regularmente fiscalizava a Bernard L. Madoff Investment Securities, mas não sua empresa separada de assessoria financeira. Essa empresa gerenciava um fundo hedge que não estava registrado na SEC até setembro de 2006 - e, de acordo com relatos, nunca foi sujeito a inspeção depois disso.  Detalhes de investigações mais antigas da SEC sobre os negócios de Madoff estão agora sendo divulgados. Na semana passada, a SEC disse que as operações de Madoff com títulos foram investigadas em 2005 e na época concluiu-se que ele havia violado a regra que determina que os corretores obtenham a melhor cotação possível. Cofre familiar As investigações estão apenas começando. Os investigadores ainda não disseram quando acreditam que Madoff tenha começado a prática fraudulenta de usar investimentos novos para pagar os investidores já existentes. Não está claro quanto dinheiro foi perdido ou quantas pessoas estavam envolvidas.  Ainda não veio a público se ele gastou tudo, se guardou em algum lugar ou simplesmente perdeu o dinheiro. Foi revelado pelo jornal Evening Standard que Madoff mantém no centro de Londres um pequeno escritório onde guardava milhões em dinheiro. Comparado com o edifício Lipstick, de Manhattan, em Nova York, onde fica a sede central de seu banco de investimentos, o escritório londrino, no número 12 de Berkeley Street, no bairro de Mayfair, é bem mais discreto. Uma fonte disse ao jornal que a sede anônima era como um "cofre familiar" do banqueiro, no qual guardava o equivalente a 88 milhões em dinheiro para determinadas operações familiares. Nesse escritório trabalham 28 pessoas, incluindo analistas e especialistas em investimentos, e à frente dessa sede está Stephen Raven, de 70 anos, um dos nomes mais respeitados na City de Londres. Raven ocupou um cargo durante 16 anos no Conselho da Bolsa de Londres e também foi membro do Conselho de Administração do banco Warburg's, além de ser diretor-fundador da Liffe. Logo após saber da monumental fraude cometida por seu chefe, Raven publicou uma declaração à imprensa na qual afirmava que as atividades desenvolvidas nesse escritório nada tinham a ver com a companhia americana de gestão de ativos.

Da Redação,

17 de dezembro de 2008 | 15h03

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