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Entenda os riscos de liquidez, de crédito e mercado

Os cálculos para avaliar risco envolvem conhecimento estatístico em relação à possibilidade de perda

Fabio Gallo, O Estado de S.Paulo

05 Novembro 2018 | 05h00

Minha previdência privada não está tendo um bom desempenho. Estou pensando em sacar o dinheiro para investir em outra coisa. Como tenho mais de 65 anos acredito que não vou ter desconto de IR. Isso está certo?

Não exatamente. Os aposentados com mais de 65 anos têm direito a um maior valor de isenção mensal – e, assim, na declaração anual do Imposto de Renda (IR) em relação aos valores recebidos do INSS ou de previdência privada. Na prática, dobra o valor da isenção a que tais contribuintes têm direito. A Receita Federal estabeleceu para 2017 o limite mensal de isenção para aposentados maiores de 65 anos em R$ 1.903,98 mais o valor do 13.º salário, sendo que o limite anual é de R$ 24.751,14. Essa parcela isenta deve ser lançada na ficha 6 dos Rendimentos Isentos e Não Tributáveis. O que exceder a quantia deve ser informado na ficha de rendimentos tributáveis. No entanto, não é aplicável a parcela de isenção às pessoas com mais de 65 anos sobre os benefícios de previdência recebidos tributados pelo regime regressivo. Já apontei essa situação como um paradoxo, mas o Fisco mantém essa tributação. Por outro lado, estude com cuidado a sua saída do fundo devido ao seu desempenho. As incertezas trazidas pelo período eleitoral elevaram a curva de juros do mercado e isso provocou queda do valor da cota, principalmente para carteiras posicionadas no longo prazo. Entenda que fundos de previdência são mais conservadores, têm objetivos bem definidos e voltados para o seu grupo de participantes. Justamente por isso alguns desses fundos estão oferecendo mais de uma opção de carteira, buscando assim atender aos diferentes perfis dos participantes. Caso você decida sair do fundo atual, uma alternativa é usar da portabilidade transferindo os recursos para outro fundo que atenda melhor aos seus interesses – sem ter de arcar com os descontos de imposto. 

Sou um conservador. Como avaliar o risco das aplicações? 

Os cálculos para avaliar risco envolvem conhecimento estatístico em relação à possibilidade de perda. Mas, os investidores mesmo sem esse conhecimento podem fazer uma avaliação sobre o risco de forma a se sentirem confortáveis em seus investimentos. Primeiro entendendo quais os principais tipos de risco existentes em relação aos ativos. Risco de liquidez é relativo à velocidade de conversão do papel em dinheiro – em outros termos, ao prazo para poder resgatar a aplicação. Por exemplo: imóveis têm baixa liquidez, enquanto a caderneta de poupança tem alta liquidez. Um segundo tipo de risco importante é o risco de crédito, que é a possibilidade de você não ter o dinheiro de volta. Os títulos emitidos por bancos – como CDB, LCI, LCA, caderneta de poupança, entre outros – têm garantia até R$ 250 mil pelo FGC (Fundo Garantidor de Crédito). Comprar uma nota promissória particular tem alto risco de crédito. Outro tipo de risco é o de mercado, que é a mudança de preços dos títulos. Por exemplo: nas ações, qualquer notícia negativa em relação à empresa, ao setor de negócio ou à economia no geral pode afetar o seu valor de negociação. Outro exemplo é quando a taxa de juros sobe e afeta negativamente o preço dos títulos do Tesouro Direto. No entanto, alerto que, na hora de investir, sempre devemos ponderar a relação entre risco e retorno – não podemos decidir investimentos somente por uma das variáveis. Para investir corretamente e poder decidir sobre esse equilíbrio, considere o prazo que você tem à disposição para essa aplicação e a importância desses recursos dentro dos seus objetivos. 

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