Entidade argentina desmente invasão de produtos brasileiros

Pela primeira vez uma entidade argentina desmente a invasão setorial de produtos brasileiros no país, uma versão que vem sendo defendida pela União Industrial Argentina (UIA) e algumas associações empresariais. Um comunicado da Capcica, a câmara que reúne os grandes fabricantes de importadores de calçados da Argentina, acusou aos diretores da UIA de denunciar uma invasão inexistente de produtos brasileiros e os responsabilizou por incitar um conflito comercial com o Brasil. A Capcica, que engloba multinacionais de calçados esportivos como Adidas, Fila, Nike e RBK, entre outras, além da marca local Grimaldi, afirma que 55% de suas vendas correspondem a produtos de fabricação nacional, especialmente depois que a mudança de preços relativos impôs a substituição de importações.O comunicado, assinado pelo presidente da câmara, Juan Dumas, sustenta que "resulta particularmente inoportuna e irritante a ação dos lobbies e as corporações de sempre que, uma vez mais, buscam gerar um conflito comercial com Brasil, alegando uma inexistente invasão de produtos neste país (Argentina), entre eles se menciona o calçado, um setor que mediante artimanhas deste tipo, tem conseguido uma ultra proteção durante já mais de 10 anos". A nota diz ainda que, longe do que afirma a UIA, nos primeiros cinco meses de 2003, as importações de calçados de toda origem apenas representaram 32% das importações que entraram no mercado argentino em igual período de 2001, e 40% no caso do Brasil. Na Câmara da Indústria de Calçado, que reúne as pequenas e médias empresas locais, a opinião é que as importações do Brasil ainda estão abaixo dos registros anteriores à desvalorização, em 2001, mas considera que as operações em andamento terão forte impacto na indústria local. Na semana passada, a UIA respondeu às declarações do embaixador brasileiro em Buenos Aires, José Botafogo Gonçalves, de que não há uma invasão de produtos brasileiros na Argentina, ao destacar que o saldo da balança comercial, excluindo commodities, sempre favoreceu ao Brasil. Alberto Álvarez Gaiani, denunciou incentivos aos investimentos e exportações brasileiras e reivindicou medidas de "garantam a concorrência na zona".

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