Entidades apostam em baixo crescimento das vendas no Natal

Entidades apostam em baixo crescimento das vendas no Natal

Alshop, ACSP e Fecomercio-SP indicam tendência de aumento entre 1% e 3% para dezembro em relação ao mesmo período de 2013

Matheus Martins Fontes, especial para o Estado, O Estado de S. Paulo

24 de novembro de 2014 | 13h18

As vendas do próximo Natal devem ter um crescimento modesto em relação ao resultado do ano passado. Entidades representantes de lojistas ouvidas pelo Estado esperam aumento em torno de 1% a 3% em termos reais para o final de 2014. O baixo crescimento reflete o atual cenário da economia brasileira, com inflação elevada, alta do dólar e o aumento na taxa de juros tornando o crédito mais caro. 

Nessas condições, o consumidor acaba perdendo a confiança no mercado, de acordo com o economista da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP), Fábio Pina. Para ele, na melhor das hipóteses, o ritmo das vendas aumentará apenas 1% em relação ao mesmo período de 2013.

“O volume de crédito vem caindo. Então, o comerciante faz as contas e se vê com menos recursos. Isso faz com que o consumidor tenha menos confiança. Se o rendimento é baixo, o comerciante não dá nenhuma garantia ao seu cliente de que venderá mais nesse ano”, diz o economista. 

Por isso, antecipar as promoções pode se tornar uma estratégia para muitas lojas e comerciantes driblarem um Natal discreto. O economista da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Marcel Solimeo, espera um crescimento de 2% em comparação com o resultado de há um ano. Ele ainda indica uma atitude cada vez mais comum do consumidor: “Hoje em dia, acontece muito de a pessoa não dar presente no Natal para comprá-lo só depois da data buscando preços mais em conta”.

Já a Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop) prevê que as vendas natalinas nos 866 shoppings espalhados pelo País aumentarão em 3% em comparação com dezembro de 2013. Para o presidente Nabil Sahyoun, a diminuição no consumo desde a Copa do Mundo e a incerteza do rumo na economia são fatores que dificultam uma previsão mais positiva. “Agora fica a expectativa de quem vai ser o novo Ministro da Fazenda em 2015 para termos maior credibilidade e para que os empresários voltem a investir”, diz ele, fazendo alusão à anunciada saída de Guido Mantega para o segundo mandato presidencial de Dilma Rousseff.

O impacto da baixa projeção do consumo deve atingir setores específicos do varejo, como cita Solimeo. “Até aqui, setores de confecções e calçados estão com vendas fracas. Os supermercados estão crescendo bem pouco também e nós imaginamos que isso vai predominar até o fim do ano”.

13° salário. Ainda que o ritmo esperado para o fim do ano seja modesto, Nabil Sahyoun lembra que a injeção de cerca de R$ 158 bilhões na economia relativos ao 13.° salário - que representa aproximadamente 3% do PIB - e a alta demanda por presentes em dezembro podem amenizar a projeção pessimista. O presidente da Alshop lembra que, mesmo em anos de crise, é justamente na época do Natal em que há compensação financeira. “As empresas favorecem cada vez mais seus colaboradores, criando um ambiente de festas, a reunião de grupos, refletindo em presentes nos shoppings. Tudo isso acaba trazendo um movimento bom”. 

De acordo com pesquisa da Alshop, o setor de vestuário é um dos segmentos de comércio mais favorecidos nas compras para presentes no fim de 2014. Mesmo assim, lojistas que trabalham nessa área estão tomando precauções com o esfriamento das vendas no segundo semestre.

O presidente da rede Riachuelo, Flávio Rocha, diz que a baixa tendência de crescimento requer estratégias mais eficientes para manter o bom nível de vendas da empresa também no Natal. Ações promocionais têm sido fundamentais para atrair o consumidor. 

“O Natal pede algo mais promocional. Por isso dividimos nossa estratégia em duas ações - uma em novembro em que o cliente compra o produto para si, e outra depois da Black Friday em que as ofertas são maiores, pois a sensibilidade aos preços é maior quando se compra presentes para terceiros”, explica Rocha.

O CEO da rede de vestuários aposta que haverá produtos com preços mais em conta após a Black Friday, no próximo dia 28. “Muitos itens da loja vão ter forte apelo com ofertas atrativas, como camisetas pólo, calças jeans básicas, T-shirts e também camisas sociais. Mas não são produtos que sobraram no estoque, mas são matadores em matéria de preços”.

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