Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Entidades assinam acordo mas estão descrentes do fim da paralisação

De acordo com representantes da categoria, são os caminhoneiros que vão dizer se a proposta é suficiente ou não

Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

24 Maio 2018 | 23h32

Apesar de o governo ter anunciado o fim do movimento dos caminhoneiros, os líderes da categoria que assinaram o acordo estão reticentes e não asseguram, ao final do longo e tenso dia de reuniões, no Planalto, que seus filiados voltarão ao trabalho, nesta sexta-feira, liberando estradas e voltando a transportar as mercadorias. “Assumimos o compromisso e vamos repassar ainda hoje, na íntegra, para todos eles. Mas é a categoria que vai analisar e é o entendimento deles é que vai dizer se isso foi suficiente ou não. O que estou dizendo para eles é que chegamos aqui com duas reivindicações e saímos com 14 e houve uma sensibilidade do governo no atendimento às reivindicações”, declarou o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores Autônomos (CNTA), Dilmar Bueno, sem querer assegurar em momento algum que a categoria iria voltar às atividades nesta sexta.

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Os presidentes das Federações de Transportadores Autônomos de São Paulo e Minas Gerais, Norival de Almeida e Silva e Gilmar Carvalho, estavam bem mais pessimistas. “Saio preocupado. Acho que podem não aceitar”, desabafou, desanimado, Gilmar Carvalho, avisando que “é a categoria quem decide” e salientando vai apresentar a eles o que conseguiram e tentar mostrar os avanços. “Mas o valor viável do combustível, não existe”, lamentou. 

“Eu temo, acho que eles vão continuar o movimento porque são muitas pessoas, com pensamentos muito diferentes mas isso é o que o governo disse que tem para oferecer”, disse Norival. Ele explicou ainda que se eles não aceitarem voltar, “não sei onde vai parar isso”. Mas ressalvou que “todo movimento tem de começar e uma hora tem de negociar e terminar porque protesto não é negócio de resultado financeiro, é reivindicação”. Para ele, se os caminhoneiros analisassem como ele, que participou das reuniões, acho que já seria viável voltar e conseguir o resto depois”.

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Jaime Ferreira, presidente do Sindicato Nacional dos Cegonheiros, informou que vai relatar aos seus associados os termos do acordo e torcer para que eles concordem. “Ter uma previsibilidade de 30 dias, com a Cide zerada e promessa de redução do PIS/Cofins, dá um fôlego”, reconheceu ele, ressalvando, no entanto, que não tem certeza que todos concordarão em voltar.

Pelo menos três das 11 entidades presentes ao encontro não assinaram o acordo. São eles: o presidente da Associação Brasileira de Caminhoneiros Autônomos (Abican), José da Fonseca Lopes; do Sindicato de Ijuí (SC), Gilson Baitaca, e da União Nacional dos Caminhoneiros (Unican), José Araújo, conhecido por China. 

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No mesmo momento que o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, apelava pelo fim da paralisação que já dura quatro dias e está provocando desabastecimento em vários setores no País, José Araújo, conhecido por China, da União Nacional dos caminhoneiros (Unican), disse ao Estado que não assinou o acordo porque "são só promessas e não temos nada de concreto". Segundo ele "se cumprir está bom, mas precisamos de ver tudo em vigor e não só promessas pois de promessas estamos cheios".

E avisou: "Só com promessas não vou pedir a ninguém para acabar com o movimento porque a greve não é mais do nossa, mas da população ". Ele participou da reunião e deixou o Planalto reiterando que só pede aos seus liderados, que não disse quantos são, quando tudo estiver valendo. 

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