finanças

E-Investidor: "Você não pode ser refém do seu salário, emprego ou empresa", diz Carol Paiffer

Entidades criticam eventual reerguimento da Telebrás

Entidades do setor de telecomunicações ouvidas pela Agência Estado criticaram a possibilidade admitida pelo ministro das Comunicações, Hélio Costa, de reerguimento da Telebrás para fornecimento de infra-estrutura de banda larga no projeto de levar a internet às escolas."É viável e possível, eu só acho que não é razoável o Estado voltar a um setor em que se mostrou incompetente como empresário e competir com empresas que privatizou", disse o presidente da Associação Brasileira das Concessionárias do Serviço Telefônico Comutado (Abrafix) e da Associação Brasileira de Telecomunicações (Telebrasil), José Pauletti.O presidente da Federação Brasileira de Telecomunicações (Febratel), Luiz Alberto Garcia, também acha que é possível sim o ressurgimento da Telebrás no setor, já que ela é uma empresa constituída, mas critica a possibilidade de o Estado voltar a atuar como empresário, o que considera uma proposta do PT. "Não acredito que o presidente Lula pense assim", disse.De acordo com o ministro, o Estado não concorreria com as empresas privadas. Pauletti, no entanto, acha que o objetivo declarado de levar internet a todas as escolas encubra outro que é o da volta da atividade empresarial estatal no setor. A desconfiança se baseia em críticas anteriores do PT à privatização das teles, entre outros motivos.Para ele, "a proposta não é do ministro Hélio Costa, ele apenas foi o que falou". Ele disse que já se comentava antes que o governo voltaria ao setor pela Eletronet, uma empresa de internet da estatal de energia Eletrobrás. "Isso já vem de quatro a cinco anos. A gente nunca levou a sério, mas agora parece que está virando realidade. A proposta é do governo, não sei de onde, não sei se da Casa Civil", disse.AbrangênciaPauletti argumenta também que a rede das operadoras já atende a 70% das escolas públicas, não das localidades. "Há escolas que já têm infra-estrutura para banda larga e o governo não contrata, não lança o edital", diz Pauletti.Garcia questiona se vai haver uso para banda larga em qualquer escola do País. "Será que a professora está preparada para isso? Será que a escola vai botar o computador em um cofre?", pergunta o presidente da Febratel.A Abrafix e a Telebrasil defendem que o governo use o poder de compra dele e faça uma licitação para a prestação do serviço em todas as escolas, fixando o preço e as condições. As empresas veriam se interessa a cada uma.Ele informou que interessa às operadoras substituir a meta de universalização de postos de serviços telefônicos (PST) por infra-estrutura de banda larga porque "PST não serve para nada". No entanto, o custo estimado para cumprir a meta de PST era bem menor do que o estimado para montar a estrutura que o governo quer para banda larga. "Para PST, o custo é de R$ 700 milhões. Para banda larga, é de quatro ou cinco vezes isso. Aí não pode", disse Pauletti.O ministro Costa disse na semana passada que o custo de levar internet a todas as escolas não sairia "por menos de R$ 2,5 bilhões a R$ 3 bilhões".Enquanto governo e operadoras não se entendem, as companhias vão investindo em PST para não deixar de cumprir as metas previstas em contrato e não serem multadas. "O custo para a meta de PST era de R$ 1 bilhão, mas R$ 300 milhões já foram investidos", afirmou Pauletti.A Abrafix tem entre suas sócias a Oi, a Telefônica e a Brasil Telecom. Pauletti e Garcia participaram hoje do Fórum de Relações de Trabalho em Telecomunicações (Forte), no Rio de Janeiro.

ADRIANA CHIARINI, Agencia Estado

21 de novembro de 2007 | 15h46

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.