Entidades divergem sobre decisão de manter a Selic

Copom interrompe trajetória de corte desde 2005; financeiras e comércio têm opiniões contrárias

17 de outubro de 2007 | 20h38

O presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, considerou "nefasta para a economia brasileira" a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) que mantém a Selic - a taxa de juros básica - em 11,25%. Na sua avaliação, a medida causará "um efeito psicológico negativo no setor produtivo". Com a decisão o Copom, interrompe uma trajetória de cortes desde 2005, quando em setembro a taxa foi reduzida de 19,75% para 19,50% ao ano.   Veja também:   Copom mantém juros pela primeira vez desde 2005 Manutenção da taxa de juros frustra indústria Confira a evolução da Selic desde o início do governo Lula   A decisão foi "frustrante", na avaliação da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). Segundo o presidente da entidade, Alencar Burti, havia espaço para continuidade na redução dos juros. "A decisão do Copom de manter inalterada a taxa Selic frustrou as expectativas dos empresários, que consideravam haver condições para uma nova redução dos juros", afirmou Burti, em comunicado. O presidente da ACSP continuou, esperançoso, dizendo acreditar que esta manutenção tenha sido "apenas uma pausa".   A decisão foi considerada responsável pela Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi) e pelo Sindicato das Financeiras dos Estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo (Secif).   Para o conselheiro econômico da Acrefi, Istvan Kasznar, a manutenção da Selic reforçou o que havia sido relatado na última ata. "Após a divulgação da última ata do Copom, que chamou a atenção para um repique da inflação, o BC deixou claro que iria estabilizar a taxa Selic em 11,25% pelo menos por algum tempo", disse Kasznar, destacando que a interrupção representou "um ajuste normal e esperado".   E emenda: "Ao manter a taxa Selic em 11,25%, o BC nem abre demais para um reforço da onda de consumo, nem fecha as portas da queda dos juros no futuro, se a inflação voltar a ter tendência de baixa".   Na visão do presidente do Secif, José Arthur Assunção, o Copom optou pela manutenção para sentir como a economia vai reagir nos próximos meses. "Foram mais de dois anos de cortes sucessivos da Selic. Era de se esperar por uma parada em algum momento e o momento foi agora".   Para o presidente do Conselho de Administração da regional paulista do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (Ibef-SP), Walter Machado de Barros, a decisão foi "estratégica". "Foi estratégica, a fim de balizar o crescimento da demanda, avaliando os efeitos das reduções anteriores da Selic e seus efeitos no consumo."   Após avaliar a decisão como "uma pausa necessária", Machado de Barros argumentou que a demanda vem crescendo muito apesar dos juros elevados. O presidente do Ibef-SP concluiu que o Brasil vive um momento bastante favorável, apesar de as turbulências externas ainda não estarem sob controle.   (Com Pedro Henrique França, da Agência Estado)

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