Entidades lançam "feirão" para informar peso dos impostos

A Associação Comercial de São Paulo (ACSP) iniciou hoje uma campanha para que a população exija do Congresso a regulamentação da lei federal que determina que o consumidor seja informado sobre os impostos embutidos nos bens e serviços que ele adquire. De acordo com o presidente da ACSP, Guilherme Afif Domingos, há 15 anos que o parágrafo 5º do artigo 150 da Constituição de 1988 aguarda regulamentação. "Esta na hora do povo tomar uma providência, já que, em 15 anos, os parlamentares não fizeram nada", disse.A ACSP, junto com a Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp), Confederação Nacional dos Jovens Empreendedores (Conaje) e a seção São Paulo da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), vão começar em setembro a colher assinaturas para a regulamentação da lei. A previsão é de que, em 60 dias, os organizadores terão colhido entre 500 mil e 1 milhão de assinaturas para apresentá-las ao Congresso.Nesta segunda-feira, os líderes do comércio montaram o "Feirão do Imposto", evento que serviu para satirizar a "desgraça" do dia-a-dia da população com cartazes bem-humorados, como "Oferta do dia: a nova Cofins, pague mais e leve menos", ou "Liquidação maluca/Última novidade/Cide (contribuição sobre combustíveis) Você paga, mas não leva". De acordo com cálculos do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), o governo federal deve arrecadar este ano R$ 650 bilhões. "Esse montante representa recolher R$ 1,85 bilhão por dia, ou R$ 75 milhões por hora ou R$ 1,2 milhão por minuto", disse o presidente do IBPT, Gilberto Luiz do Amaral.Afif informou que o "Feirão do Imposto" será levado para pelo menos 30 cidades do Estado de São Paulo e para outras capitais do País. Expostos em gôndolas, uma série de bens de consumo duráveis e semiduráveis mostra a incidência da carga de 61 impostos federais, estaduais e municipais. Entre os alimentos, um pacote de macarrão, com preço de R$ 1,69, recolhe R$ 0,59 em impostos, ou 35,2% do preço. De uma conta de telefone de R$ 71,00, o governo fica com R$ 33,40, ou 46,65%. "Quem paga esse impostos todo não é a empresa ou a indústria, é o consumidor", disse o presidente da ACSP.

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