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Entrada de dólares no ano já é 74,31% de 2010

Alta rentabilidade dos juros desafia medidas do governo para conter ingresso de capitais e com isso o País já atraiu US$ 18,09 bilhões do exterior este ano

Adriana Fernandes, O Estado de S.Paulo

17 de fevereiro de 2011 | 00h00

Com os juros altos garantindo alta rentabilidade para os investidores, o Brasil já atraiu este ano US$ 18,09 bilhões do exterior. A entrada de dólares de janeiro até o dia 11 de fevereiro já representa 74,31% de todo o fluxo cambial para o País registrado no ano passado (US$ 24,354 bilhões), desafiando as medidas adotadas pelo governo para conter o ingresso de capital externo.

Todos os dólares estão sendo comprados pelo Banco Central (BC). Se não fossem as fortes intervenções do BC no mercado cambial, a taxa de câmbio estaria num nível ainda mais baixo que o valor atual, por causa da pressão dos dólares que ingressam no País.

Segundo dados divulgados ontem pelo BC, o ingresso de dólares no País voltou a ganhar força na segunda semana de fevereiro. O fluxo cambial para o Brasil no mês, até o dia 11, ficou positivo em US$ 2,58 bilhões. Na primeira semana do mês, o saldo positivo foi de apenas US$ 39 milhões.

O desempenho forte do fluxo cambial no ano foi determinado principalmente pela conta financeira, que contabiliza os ingressos de dólares de investimentos estrangeiros (diretos na produção ou em títulos e ações), empréstimos e remessas de lucros, entre outros.

O ingresso por essa conta soma US$ 17,57 bilhões até o dia 11 passado. Já no segmento comercial, que contabiliza as operações de câmbio para importações e exportações, o saldo é positivo em US$ 518 milhões. As compras de dólares feitas pelo BC em fevereiro reforçaram as reservas internacionais em US$ 4,35 bilhões. A quantidade comprada é maior que o fluxo de entrada de dólares no mês.

Inflação. O diretor de câmbio da Fair Corretora, Mário Battistel, destacou que, se não fosse a ação do BC, a taxa de câmbio estaria abaixo de R$ 1,50.

Segundo Battistel, o BC tem até procurado antecipar as compras quando identifica a realização de captações externas de empresas. Para ele, o governo não tem uma ação ainda mais agressiva no câmbio porque o dólar baixo funciona como ferramenta adicional para o controle da inflação. Na avaliação de Battistel, o fluxo forte está associado ao capital especulativo em busca da alta rentabilidade provocada pelo diferencial de juros do Brasil com o exterior.

Para o economista da LCA consultoria, Flavio Samara, a tendência é de continuidade do fluxo elevado de ingresso de dólares. Segundo ele, o diferencial de juros e os fundamentos positivos da economia mantêm o País atrativo para o capital externo. O cenário só deve mudar, acredita o economista, quando o banco central dos Estados Unidos (Fed) começar a elevar os juros.

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