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Entrada de dólares no País esfria em abril

Após forte atração de capital em março, que provocou valorização na Bolsa, resultado até o dia 11 deste mês era positivo em apenas R$ 69 milhões

Josette Goulart, O Estado de S.Paulo

22 de abril de 2014 | 02h04

Apesar do forte fluxo de dólares para o Brasil registrado em março, que afetou positivamente a Bolsa e ajudou a valorizar o real, os dados do Banco Central mostram que houve um arrefecimento nas duas primeiras semanas de abril. Isso aconteceu porque o fluxo de saída também está grande e deixou o saldo líquido dos investimentos financeiros praticamente no zero a zero.

Até o dia 11, o saldo líquido do chamado fluxo financeiro, em que os recursos são destinados à Bolsa, aplicações de renda fixa ou mesmo investimento direto (em produção), foi de apenas R$ 69 milhões. Os dados diários mostram uma alta volatilidade e na primeira semana o fluxo estava negativo em R$ 1,7 bilhão. O dado positivo foi do fluxo comercial (exportação e importação), que teve entrada líquida de R$ 1 bilhão nas duas primeiras semanas do mês.

O professor Antonio Lacerda, da PUC-SP, diz que o Brasil voltou a se tornar atrativo para arbitragem neste ano com os títulos públicos pagando 13% de retorno. Mas isso causa uma forte volatilidade. A Bolsa subiu muito em março então logo no começo de abril muitos investidores estrangeiros se desfizeram das posições para ganhar não só com a alta auferida na Bolsa como com o dólar baixo, segundo um operador de banco estrangeiro. O economista do Santander, Maurício Molan, diz que o fluxo mais expressivo no entanto foi para a renda fixa.

O diretor da NGO Corretora, Sidnei Nehme, diz que o fluxo de dólares para o Brasil não explica a queda do dólar neste ano. Na quinta-feira fechou a R$ 2,24 e no começo do ano era de R$ 2,36. Ele lembra que com as vendas de dólares pelo BC - em decisão tomada no ano passado para evitar o uso das reservas para conter a escalada do dólar - os bancos estão com US$ 18 bilhões. Seria preciso uma entrada expressiva como esta, segundo Nehme, para explicar a queda do dólar neste ano. "A tendência é que suba porque não há fluxo para explicar o câmbio neste patamar", diz Nehme. "É preciso olhar o que está saindo do País."

O economista Antonio Madeira, da LCA Consultores, diz que a saída de dólares pode ser referente ao pagamento de dividendos por empresas, por exemplo. Os detalhes, entretanto, só serão conhecidos quando o BC divulgar a nota do setor externo. Mas ela tem um atraso e nesta semana, será divulgado a nota de março. O presidente Alexandre Tombini estimou na semana passada que o fluxo para o Brasil foi de US$ 8 bilhões, em março.

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