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Entrada de empresas privadas deu alívio ao governo

Preocupação do Palácio do Planalto era fugir das críticas da oposição de que leilão seria para estatais do eixo sul-sul

Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

22 de outubro de 2013 | 03h06

BRASÍLIA - Uma preocupação percorreu o Palácio do Planalto nos momentos que antecederam o leilão de Libra. Preventivamente, assessores palacianos entoavam o discurso de que o resultado do processo não seria nem privatização do pré-sal nem se tornaria uma "poupança" sob o mar para exploração incerta de estatais chinesas.

Preocupava assessores da presidente Dilma Rousseff que a maior fronteira petrolífera nacional, capaz de impulsionar uma ampla e sofisticada cadeia produtiva, se transformasse num empreendimento de estatais do eixo sul-sul, sem a chancela do mercado e do capital privado.  

Mas a entrada da anglo-holandesa Shell e da francesa Total no negócio com a Petrobrás causou alívio no Palácio do Planalto. O resultado final foi a vitória do consórcio formado pela Petrobrás (40%), Shell (20%), Total (20%), CNPC (10%) e CNOOC (10%).

Para o governo, o leilão foi, assim, um sucesso. A modelagem não afastou todas as empresas tradicionais privadas, que em sua maioria havia debandado em fases anteriores - ficaram de fora gigantes como as americanas Exxon e Chevron, a norueguesa Statoil e as britânica BP e BG -, e garantiu um discurso simultaneamente nacionalista, mas "mercado friendly".

E mostrou, pelo menos na visão do governo, que o modelo de partilha está certo, apesar das opiniões contrárias. Diante deste cenário, Dilma já avisou não pretende mudar o modelo de exploração das reservas de petróleo do pré-sal para as próximas licitações, em 2015, caso seja reeleita.

"Além da vitória tecnológica que foi a descoberta, pela Petrobrás, dessas gigantescas jazidas, o modelo de partilha que construímos significa também uma grande conquista para o Brasil", disse a presidente em seu pronunciamento em cadeia nacional. Dilma acompanhou o leilão pela TV, do Palácio da Alvorada, onde gravou o pronunciamento que foi ao ar na noite de ontem, sob direção do marqueteiro João Santana.

Um pequeno erro provocou tensão na Presidência durante a veiculação da transmissão. Houve um problema no áudio da transmissão do pronunciamento obrigatório e TV da presidente, que foi ao ar às 21h30, no início da sua fala. O governo ainda não sabe o que houve. A EBC, Empresa Brasileira de Comunicação, está verificando se a falha foi na geração ou na transmissão ou que tipo de problema ocorreu. Mas, até às 22h45, não tinha detectado o real motivo dela.

Segurança. Candidata à reeleição, Dilma sabe que a falta de competidores no leilão no campo de Libra será usada por seus adversários, mas já tem o discurso pronto para rebater as críticas.

A exemplo do que disse ontem no pronunciamento, a presidente destacará nos palanques que o dinheiro arrecadado com o negócio será investido em saúde e educação. Logo de início o governo vai arrecadar R$ 15 bilhões a título de bônus de assinatura do contrato.

Na prática, a Petrobrás iniciou as negociações para participar do leilão do bloco de Libra com a "missão" de liderar o consórcio vencedor. Cabia à estatal brasileira, desde o início, atingir uma porcentagem tal que desse a ela a maior parte do grupo de empresas.

Investimento. "De cara, o Brasil terá R$ 15 bilhões para investimento e, além disso, 41,65% do excedente em óleo extraído do campo de Libra ficará nas mãos da União. É o braço forte do Estado no negócio, e não do mercado", afirmou o líder do PT na Câmara, José Guimarães (CE).

"Isso é o oposto do que o PSDB fez no passado, quando tentou privatizar a Petrobrás", completou ele, ao rebater queixas feitas até mesmo por petistas, que acusaram o governo Dilma de patrocinar a perda de soberania nacional.

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